Diário

Como pedir o visto para a China

Passaporte, formulário, centro de vistos, quatro a sete dias úteis. O passo a passo real, com os erros que fazem o processo voltar atrás.

18 de outubro de 2026 · Equipa ChinaTravel.pt · visto · documentos · planeamento

Pedir o visto para a China a partir de Portugal demora, no caso normal, quatro a sete dias úteis e custa entre 80 e 130 euros, somando a taxa consular e a taxa de serviço do centro. Antes de mais nada, porém, convém verificar se precisa mesmo dele: desde 2024, os titulares de passaporte português têm entrado na China sem visto, até 15 dias, ao abrigo de uma medida unilateral. Se a sua viagem à China cabe nesses quinze dias, não há papelada nenhuma — só passaporte válido por mais de seis meses, bilhete de saída e reserva de hotel.

Agora, duas advertências sobre essa isenção. A primeira: ela tem prazo e já foi renovada mais de uma vez, por isso confirme a regra em vigor na embaixada na semana em que compra o voo. A segunda: a isenção não serve para quem fica mais de quinze dias, para quem entra duas vezes no mesmo bilhete ou para quem viaja a trabalho. Fora desses casos, o visto é o caminho, e é um caminho com regras próprias que convém conhecer antes de marcar a ida ao centro.

Passaporte aberto sobre uma mesa, ao lado de um formulário impresso, de manhã
O formulário passou a ser preenchido online e impresso: uma letra errada no número do passaporte obriga a recomeçar o processo.

O que reunir antes de marcar

O centro de vistos não aceita «vou tratar disso depois». A lista é curta e fechada:

  • Passaporte válido por pelo menos seis meses no dia de entrada, com duas páginas em branco.
  • Formulário preenchido online, impresso e assinado. Não há versão manuscrita.
  • Fotografia a cores, fundo branco, formato 48 × 33 mm, tirada nos últimos seis meses.
  • Itinerário completo: voo de entrada, voo de saída, reserva de hotel em todas as noites.
  • Comprovativo de meios, na prática um extrato bancário recente, pedido com alguma frequência.

Os dois pontos que mais vezes deitam processos abaixo são a fotografia fora do formato e as reservas de hotel em falta. Se está a organizar a viagem neste momento, o percurso que mais vezes serve de base é o nosso China Essencial, com as noites todas nomeadas cidade a cidade. Se vai dormir em casa de amigos ou em alojamentos reservados mais tarde, apresente as noites que tiver e complete depois: o centro quer ver coerência entre datas de voo e datas de alojamento, não uma contabilidade perfeita.

O formulário: onde se perde tempo

O formulário online tem oito páginas e guarda automaticamente, o que ajuda. Três campos merecem atenção porque são os que devolvem candidaturas:

O número do passaporte, que tem de ser copiado letra a letra. Um O no lugar de um zero e o processo recomeça.

A morada na China, que não pode ficar vazia. Escreva o primeiro hotel do itinerário, com nome e endereço como aparece na reserva.

O histórico de viagens, onde se declaram as entradas anteriores. Vistos chineses antigos, sobretudo se tiver tido autorizações de trabalho ou de residência, devem ser declarados. Não é uma armadilha: é informação que o consulado já tem.

Vista de Pequim desde um miradouro, ao final da tarde, com telhados ao longe
Pequim é a cidade de entrada mais comum nos voos de Lisboa; a imigração do Terminal 3 processa um voo inteiro em 40 a 90 minutos.

Ir ao centro

Em Portugal, a candidatura apresenta-se no Centro de Serviço para Vistos da China, em Lisboa, mediante marcação prévia. Vai uma vez para entregar e outra para levantar, a não ser que pague o envio pelo correio.

No balcão, o funcionário revê tudo, tira a fotografia digital e recolhe as impressões digitais — obrigatórias para todos os pedidos. O passaporte fica retido durante o processo, o que significa que não pode viajar para fora do espaço Schengen nesse período. Nunca peça o visto com uma viagem de negócios à Suíça na semana seguinte.

Marcar com duas a três semanas de antecedência é o nosso conselho prático, sobretudo entre maio e setembro, quando os centros trabalham com semanas de espera.

Os prazos e o que custa acelerar

O serviço normal anda entre quatro e sete dias úteis. O urgente desce para dois a três, o expresso para um. Cada aceleração acrescenta entre 20 e 40 euros à conta final.

O que ninguém consegue acelerar é a marcação. Em meses de pico, a vaga no centro pode demorar duas semanas, e é aí que as viagens se perdem — não no visto em si. Se a sua partida é em oito semanas, trate do visto esta semana.

Entrada única, dupla, múltipla

Para quem faz só a China, entrada única basta. Para quem combina a China com Hong Kong e Macau e regressa à China continental no mesmo bilhete, é preciso entrada dupla: Hong Kong e Macau são zonas administrativas separadas e a saída para lá conta como saída do território.

Isto surpreende muita gente. Um itinerário que entre em Pequim, voe para Hong Kong e Macau e volte a Xangai fecha a entrada única na primeira saída. Convém decidir a sequência antes de pedir o visto, porque mudar depois implica pedir outro.

O visto de entradas múltiplas faz sentido para quem viaja a trabalho ou prevê mais de uma viagem no ano.

Os erros que devolvem candidaturas

Vemos os mesmos quatro, repetidamente:

Reservas de hotel canceladas antes do pedido. O consulado verifica. Reservas canceláveis são legítimas, mas têm de estar ativas no dia da submissão; cancele depois de receber o visto, se quiser mudar de hotel.

Datas de voo e de hotel trocadas. Uma reserva que começa a 12 e um voo que chega a 13 é motivo de devolução.

Passaporte com menos de seis meses de validade. Conta-se a partir da data de entrada prevista, não da data do pedido.

Fotografia antiga ou com óculos. As regras mudaram; máquinas automáticas em Portugal raramente produzem o formato chinês sem ajuste. Vá a um estúdio.

E depois de aterrar

Com visto ou com isenção, o procedimento de entrada é o mesmo: formulário de chegada, recolha de impressões digitais nos quiosques e, desde 2024, a declaração aduaneira que se preenche antes da fila ou nos quiosques do corredor.

A cidade de entrada mais comum nos voos de Lisboa é Pequim, e é também onde a imigração demora mais nos voos da manhã. Uma nota prática que poupa discussões: tenha o endereço do primeiro hotel escrito em papel, em caracteres e em latim. O formulário pede-o, e o telemóvel sem rede no momento certo não ajuda.

Onde o guia entra

Não emitimos vistos nem representamos o consulado, e desconfiamos de quem promete fazer isso por si. O que fazemos é diferente e bastante mais útil: entregamos-lhe, com o orçamento, o itinerário com reservas reais que o centro de vistos aceita — o mesmo que está descrito passo a passo no nosso guia de visto —, porque é esse o documento que falta a quem organiza a viagem sozinho.

Para quem prefere não tratar de nada, o mesmo itinerário serve de base a um pedido feito por uma agência em Lisboa. E se a sua viagem cabe nos quinze dias da isenção, dizemos-lho antes de lhe cobrarmos seja o que for — porque um visto que não é preciso é apenas dinheiro e tempo gastos.

Tem dúvidas sobre o seu caso? Diga-nos quantos dias, quantas entradas e de onde vem. Respondemos com o que é preciso e, sobretudo, com o que não é.

Perguntas frequentes

Quanto tempo demora o visto para a China?

O serviço normal demora quatro a sete dias úteis depois de a candidatura ser aceite no centro. O serviço urgente desce para dois a três dias e o expresso para um dia, com taxas suplementares. Conte ainda com a ida ao centro e, em época alta, com a espera por marcação.

Quanto custa pedir o visto?

Entre 80 e 130 euros por pessoa, somando a taxa consular e a taxa de serviço do centro de vistos. Os serviços urgente e expresso acrescentam entre 20 e 40 euros. Visto de entrada dupla custa o mesmo que o de entrada única na maioria dos casos.

Preciso de convite ou de carta de convite?

Para turismo basta o itinerário, as reservas de hotel e os voos de entrada e saída. A carta de convite só é exigida em vistos de negócio, trabalho ou visita familiar, e é emitida pela entidade ou pela pessoa que convida, na China.

Posso entrar na China sem visto?

Desde 2024, os titulares de passaporte português têm beneficiado de isenção unilateral de visto para estadias até 15 dias. A medida tem prazo de validade e já foi renovada mais de uma vez, por isso confirme a regra em vigor na embaixada antes de comprar o voo. Acima de 15 dias, ou para entrar duas vezes, o visto continua a ser obrigatório.

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