O que fazer · Lhasa

o que fazer em Lhasa

O Potala, o Barkhor, os mosteiros e os vales a sul: as zonas da cidade, quanto tempo cada uma pede e como se gere a altitude.

Ficha prática

Melhor época
mai–set
Noites sugeridas
3 noites
Região
Tibete
Reserva obrigatória
Palácio do Potala · Mosteiro de Jokhang

O que fazer em Lhasa tem uma regra que se sobrepõe a todas as outras: a cidade está a 3.650 metros e o primeiro dia não se aproveita, usa-se para aclimatar. Tudo o resto se organiza a partir daí. Esta página é a versão prática da nossa página de Lhasa: reparte o destino por zonas, diz o que fazer em cada uma, quanto tempo pede e em que ordem a altitude se aguenta melhor.

As zonas de Lhasa e o que fazer em cada uma

A colina do Potala. Treze andares, mais de mil divisões e 117 metros de altura sobre a cidade. A visita faz-se com bilhete nominal e hora marcada, e é preciso reservar com antecedência porque os lugares diários são limitados. Lá dentro sobem-se escadas íngremes em altitude: faz-se devagar, com paragens, e não se fala de pressa. Vale sobretudo pelas capelas funerárias dos Dalai Lamas e pela vista da cidade do terraço. Duas horas, no mínimo. É o ponto alto do destino e por isso não se faz no dia de chegada.

O Jokhang e o Barkhor, no centro antigo. O templo fundado no século VII guarda a estátua mais venerada do budismo tibetano. À volta, a rua do Barkhor é o circuito de peregrinação que se faz com as pessoas: às 6h da manhã, quando chegam os peregrinos das aldeias, é um espetáculo; depois das 10h passa a rua comercial. Percorremos o circuito sempre no sentido dos ponteiros, como manda o costume. É o sítio onde o Tibete se vê a acontecer, e não a ser visitado.

Os mosteiros a norte. Drepung foi o maior mosteiro do mundo, com sete mil monges, e continua a ter casas brancas empilhadas na encosta; o Sera é conhecido pelas sessões de debate ao ar livre, à tarde, em que os monges argumentam a bater palmas. É possível assistir do lado de fora do pátio, em silêncio. Cada um pede uma a duas horas. É a zona onde melhor se percebe que o budismo tibetano é uma Universidade viva e não um museu.

Norbulingka e a margem sul. O palácio de verão dos Dalai Lamas, com jardins e árvores plantadas há duzentos anos. É o passeio mais leve de todos e por isso é o que recomendamos para o segundo dia de aclimatação: plano, com sombra e sem escadas.

Palácio do Potala visto da praça ao amanhecer, bandeiras de oração
O Potala tem 117 metros sobre a cidade e vê-se de quase todo o vale. A praça em frente tem espelhos de água e é onde os locais vão fotografar-se à noite, com o palácio iluminado atrás.

Como repartir o dia

De manhã. O Barkhor às 6h, antes do comércio, e os mosteiros a seguir. A luz da manhã no vale é limpa e a cidade ainda está fresca.

À tarde. O Jokhang, o Norbulingka e as sessões de debate do Sera, que acontecem a meio da tarde. É também a altura das consultas e das compras na rua antiga, para quem as quiser fazer.

Ao fim da tarde e à noite. A praça do Potala com a iluminação, o circuito do Barkhor outra vez, que muda completamente de carácter depois das 18h, e um jantar em restaurante tibetano com música. Lhasa não tem vida nocturna de cidade grande, e não faz falta: o que se faz à noite é caminhar.

Um aviso que vale para os três dias: em altitude o sono é mais leve e acorda-se mais cedo do que é costume. Não é um problema, é uma vantagem — as melhores horas de Lhasa são antes das 8h, quando o Barkhor pertence aos peregrinos e o vale ainda está limpo.

O que fica fora da cidade

Gyantse e Shigatse. A sul, por estrada, com mosteiros e fortalezas pelo caminho. Cada uma pede uma noite e uma autorização adicional. É a extensão mais acessível e a que melhor complementa Lhasa.

O campo base do Everest e o lago Yamdrok. A duas noites de distância por estrada, com passagem por passos de montanha acima dos 5.000 metros. É uma viagem dentro da viagem e recomendamo-la só a quem tem cinco noites livres e tolerância à altitude já testada.

Monges em debate no pátio do mosteiro de Sera ao fim da tarde
Os debates do Sera acontecem à tarde, ao ar livre, e assiste-se do lado de fora do pátio. Os monges argumentam a bater palmas com força: é técnica de memorização e de raciocínio, não é teatro.

Quanto tempo dar a cada sítio

  • Palácio do Potala — duas horas, com hora marcada e reserva feita por nós.
  • Jokhang — uma hora, de manhã ou ao fim da tarde.
  • Circuito do Barkhor — quarenta minutos, às 6h ou depois das 18h.
  • Mosteiro de Drepung — uma a duas horas.
  • Mosteiro de Sera — uma a duas horas, com debate à tarde.
  • Norbulingka — uma hora, em terreno plano.
  • Gyantse e Shigatse — uma noite cada.
  • Everest e Yamdrok — duas a três noites.

Como se circula entre as zonas

O centro antigo percorre-se a pé e é pequeno; o Potala fica a poucos minutos e os mosteiros a norte a cerca de quinze. Para as extensões a sul, a estrada faz-se com motorista tibetano e carro privado — não há alternativa pública para estrangeiros fora de itinerário fechado, e a autorização de viagem exige guia durante toda a estadia. É por isso que o Tibete se visita em circuito privado, nunca por conta própria.

Que ordem seguir

Primeiro dia: chegar, instalar, caminhar devagar pelo Barkhor ao fim da tarde e dormir cedo. Segundo dia: Potala de manhã com hora marcada, Jokhang à tarde e praça à noite. Terceiro dia: Drepung de manhã, Sera à tarde para o debate, e Norbulingka se ainda houver perna. Esta ordem tem uma razão médica antes de ter uma razão turística: o dia mais exigente fisicamente, o do Potala, fica depois de uma noite de aclimatação e não no dia da chegada.

Se tem menos tempo, se chove ou se leva crianças

Com dois dias. Potala e Jokhang num dia, mosteiros no outro, e abdica-se do dia de aclimatação completo — o que só recomendamos a quem já dormiu a 3.000 metros antes.

Com chuva ou frio. O Potala e o Jokhang são interiores e ganham com mau tempo. Os debates do Sera transferem-se para espaços cobertos.

Com crianças. Funciona, desde que se respeite o ritmo: duas actividades por dia, sestas pelo meio e sem pressa para subir. Levamos oxímetro para medir a saturação e não brincamos com sintomas: se a descida de oxigénio é significativa, muda-se o plano.

Erros que custam meio dia

  • Visitar o Potala no dia da chegada. Sobe-se mais de cem metros de escadas a 3.650 metros de altitude. É a receita certa para uma dor de cabeça e para deitar o dia seguinte a perder.
  • Ir ao Barkhor às 11h. Os peregrinos das aldeias chegam de madrugada; depois das 10h o circuito passa a rua de lojas.
  • Contar com mais de duas actividades por dia. Em altitude o corpo não aguenta o ritmo de uma cidade ao nível do mar, e o que se ganha de manhã paga-se à tarde.
  • Marcar a viagem com menos de vinte dias. A autorização de viagem para o Tibete exige itinerário fechado e processo através de agência estabelecida na região; não se faz em cima da hora.
  • Beber álcool na primeira noite. Soma-se à altitude e estraga a aclimatação de dois dias.

Como organizamos isto no terreno

Tratamos da autorização de viagem com pelo menos vinte dias de antecedência, com o itinerário completo fechado e guia obrigatório durante toda a estadia — não é possível viajar de forma independente e não vale a pena tentar. Nos grupos levamos oxímetro e oxigénio de emergência, e medimos a saturação de manhã e à noite nos dois primeiros dias. O guia em português e o guia tibetano local trabalham em conjunto, o que é o que permite perceber o que se está a ver: fora dos hotéis de Lhasa não se fala praticamente inglês. Para as extensões a sul, cada uma exige autorização adicional, e encaixamos três noites em vez de as fazer a correr.

Como encaixar isto num circuito

Lhasa é o destino da China que mais exige planeamento e o que mais recompensa quem o planifica. Na nossa Grande Travessia é o ponto alto do percurso, com três noites e as autorizações tratadas com vinte dias de antecedência; nos circuitos fotográficos entra pela luz do planalto. Para a lista completa do destino — onde dormir, o que comer — volte à página de Lhasa.

Perguntas frequentes

Quantos dias são precisos para o que há para fazer em Lhasa?

Três noites é o mínimo razoável: um dia para aclimatar, um para o Potala e o Jokhang, e um para os mosteiros de Drepung e Sera. Quem quer seguir para Gyantse, Shigatse ou para o campo base do Everest precisa de mais três noites.

Como se lida com a altitude de 3.650 metros?

Devagar. Chegar de avião, descansar o primeiro dia sem fazer nada de importante, beber dois litros de água, evitar álcool e não fazer esforço nas primeiras 48 horas. Isto resolve a maioria dos casos de dor de cabeça e falta de ar. Nos nossos grupos levamos oxímetro e oxigénio de emergência.

É preciso autorização especial para visitar Lhasa?

Sim. Todos os viajantes estrangeiros precisam de uma autorização de viagem para o Tibete, emitida através de uma agência estabelecida na região, com o itinerário completo fechado e guia obrigatório durante toda a estadia. Tratamos desse processo com pelo menos vinte dias de antecedência e não é possível viajar de forma independente.

O Potala pode visitar-se sem reserva?

Não. A visita é feita com bilhete nominal e hora marcada, e os lugares por dia são limitados; reservamos com dias de antecedência. Lá dentro sobem-se escadas íngremes em altitude, pelo que se faz devagar e com paragens.

Vale a pena fazer uma extensão para sul?

Vale, para quem tem tempo. Gyantse, Shigatse e o campo base do Everest ficam a duas noites de distância por estrada, cada uma destas extensões exige mais uma autorização e a altitude sobe. Recomendamos encaixar três noites extra em vez de as fazer a correr.

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