O que fazer · Pequim

o que fazer em Pequim em 3 dias

As quatro zonas da cidade, o que fazer em cada uma e quanto tempo pede. Um roteiro repartido por manhãs, tardes e noites.

Ficha prática

Melhor época
abr–mai · set–out
Noites sugeridas
2 a 3 noites
Região
Norte
Reserva obrigatória
Cidade Proibida · Museu Nacional da China · Grande Muralha em Mutianyu

O que fazer em Pequim em 3 dias resolve-se melhor por zonas do que por lista de monumentos. A cidade tem vinte e dois milhões de habitantes e um centro histórico que se atravessa devagar; quem salta de um extremo ao outro três vezes por dia gasta a viagem em deslocações. Esta página é a versão prática da nossa página de Pequim: reparte o destino em quatro zonas, diz o que fazer em cada uma, quanto tempo pede e a que horas compensa lá estar.

As quatro zonas e o que fazer em cada uma

O eixo imperial, no centro. É a faixa que vai da Praça Tiananmen ao Parque de Jingshan, com a Cidade Proibida no meio. Reserva-se uma manhã inteira e não se sai da zona para mais nada nesse período: entra-se pelo Portão Meridiano às 8h30, segue-se o eixo central até aos jardins do norte e sai-se pelo portão oposto. São cerca de novecentos metros lineares, mas com os desvios para leste e para oeste — é aí que ficam os pátios vazios, e é onde os grupos não vão — a visita alonga-se até três horas. Logo a seguir, quinhentos metros a norte, sobe-se ao Jingshan: dez minutos a pé, uma colina artificial e a vista clássica dos telhados amarelos. Na prática, eixo e colina fazem-se na mesma respiração e poupam uma viagem de metro.

Os hutongs e os lagos, a norte do eixo. A zona de Shichahai e as ruas à volta — Baochao, Wudaoying, as margens dos lagos Qianhai e Houhai — é onde se anda a pé sem destino. Não tem bilhete nem horário: é um passeio de fim de tarde, com casas de chá, pátios convertidos em cafés e barcos de pedais na água no verão. Uma a duas horas chegam. Evitamos a rua Nanluoguxiang, que é comércio puro, e preferimos as travessas a nascente. Quem quiser ver por dentro um pátio tradicional com família residente, dizemos quais aceitam visitas e a que horas; não é coisa que se faça a entrar por uma porta aleatória.

Telhados acinzentados dos hutongs de Pequim vistos de um miradouro ao fim da tarde
A cidade baixa de Pequim é um mar de telha cinzenta a perder de vista. Do alto do Jingshan, ao pôr do sol, percebe-se por que razão o eixo imperial foi desenhado para ser visto de cima.

O noroeste, com o Palácio de Verão. Fica fora do segundo anel e pede uma tarde inteira: o lago Kunming, o Corredor Longo pintado, o barco de mármore e a subida à Colina da Longevidade. Chega-se de metro até à zona norte do recinto e a visita faz-se melhor a andar para ocidente, a acompanhar a margem, o que põe o sol nas costas. Conta-se com três a quatro horas. Ao lado fica o Antigo Palácio de Verão, hoje um parque de ruínas com as pedras europeias ainda no sítio: meia hora para quem já viu o principal, e um bom sítio para explicar aos mais novos o que foi a Segunda Guerra do Ópio.

O sul e o leste, com o Templo do Céu e o 798. O Templo do Céu vale pelas 6h30 da manhã: o parque abre cedo e enche-se de gente a praticar tai chi, a cantar em coro e a jogar cartas debaixo dos ciprestes, e essa é a visita. Os monumentos centrais abrem mais tarde — costuma ser por volta das 8h — mas comprar só o bilhete do parque chega para a experiência e para a fotografia do Altar Circular. Uma hora e meia. O bairro das artes 798, já a nordeste, é o oposto: galerias em antigas fábricas de estilo Bauhaus, meia tarde, e uma boa escolha para quem já viu a China antiga e quer ver a China que produz arte hoje.

Como se circula entre as zonas

Dentro do segundo anel o metro resolve quase tudo: é bilingue, barato e as estações ficam a poucos minutos a pé dos monumentos, pelo que uma viagem de três paragens serve para mudar de zona sem pensar nisso. O táxi é a alternativa em horas de ponta, mas entre as 7h30 e as 9h30 e das 17h às 19h a cidade para e o taxímetro anda ao mesmo ritmo; nesses intervalos o metro ganha sempre.

Para a Muralha e para qualquer trecho fora do perímetro urbano, o carro com motorista não é luxo, é logística: os autocarros turísticos param em Badaling, que é o trecho mais concorrido, e não servem Mutianyu à hora a que queremos lá estar. Nos nossos circuitos privados o carro fica à disposição durante o dia inteiro, o que também permite deixar casacos, água e compras no banco de trás em vez de os carregar.

Uma nota prática sobre moradas: em Pequim o endereço útil não é o nome da rua, é a referência — «junto à saída norte da estação X», «em frente ao portão Y». É assim que os motoristas locais trabalham e é assim que passamos as indicações à equipa.

Como repartir o dia

De manhã. Os monumentos fechados e com reserva nominal — Cidade Proibida, Museu Nacional, Muralha em Mutianyu — fazem-se todos de manhã, porque é quando os lugares diários ainda não esgotaram e quando a luz é lateral. Saímos do hotel entre as 6h30 e as 7h nos dias de Muralha.

À tarde. O Palácio de Verão, o Templo dos Lamas, os museus e o 798. É também a altura das deslocações mais longas e a que melhor absorve um atraso sem deitar o dia a perder.

Ao fim da tarde e à noite. Os hutongs, o lago Shichahai, o mercado nocturno de Wangfujing para quem gosta de comida de rua, e o pato laqueado, que é jantar e não almoço. Em Pequim janta-se cedo: às 21h as cozinhas de bairro começam a fechar, mesmo com a sala ainda aberta.

O que fica fora da cidade

A Grande Muralha em Mutianyu. A nordeste, a cerca de uma hora e meia de carro conforme o trânsito. Conta-se com meio dia inteiro entre saída, subida de teleférico, caminhada até às torres mais altas e regresso. Entramos à abertura da bilheteira e caminha-se para nascente, onde as torres ficam desertas depois dos primeiros quinhentos metros. Quem quiser o trecho selvagem de Jiankou, ao lado, vai com guia de montanha e sem teleférico: são duas horas a mais e o piso é pedra solta.

As tumbas Ming e a estrada sagrada. Ficam no caminho de Mutianyu e juntam-se sem custo de tempo significativo: uma alameda de estátuas de pedra de seiscentos anos e uma tumba escavada. Meia hora a quarenta e cinco minutos.

Muralha da China num trecho de montanha ao amanhecer, névoa entre as torres
Chegar à Muralha à abertura não é exagero de planeamento: às 9h os autocarros de turismo já descarregam em Badaling, e a diferença entre as 7h e as 10h no mesmo trecho é a diferença entre estar sozinho e estar em fila.

Que ordem seguir

A ordem errada é a que junta no mesmo dia os dois sítios que exigem reserva nominal com hora marcada. A Cidade Proibida e o Museu Nacional libertam lugares por dia e por hora; se um atraso de trânsito atira a visita para a tarde, entra-se na franja em que o sistema já não aceita o bilhete daquela hora e a manhã seguinte fica comprometida.

O que funciona: primeiro dia em cidade, eixo imperial de manhã e hutongs ao fim da tarde; segundo dia, Muralha de manhã e regresso a tempo de um jantar normal; terceiro dia, Templo do Céu ao amanhecer, Palácio de Verão a seguir e noite livre. Com esta sequência, tudo o que depende de reserva fica na primeira metade da viagem, o que deixa margem para trocar um dia por outro se o tempo mudar.

Há uma excepção que vale a pena conhecer: a Cidade Proibida fecha à segunda-feira. Quem chega a Pequim num domingo à noite deve começar pelos hutongs e pelo Templo do Céu, e deixar o eixo imperial para terça.

Se tem menos tempo, se chove ou se leva crianças

Com dois dias. Um dia inteiro para o eixo imperial e os hutongs, outro para a Muralha. Fica de fora o Palácio de Verão, e não faz mal: é o sacrifício mais indolor da lista.

Com chuva. Museus e corredores cobertos. A Cidade Proibida aguenta chuva fraca e esvazia de gente, o que quase compensa; com chuva forte os pátios de terra batida ficam escorregadios e a visita perde metade do interesse.

Com crianças. O teleférico e o tobogã de Mutianyu, os barcos de pedais no lago Shichahai e o parque do Templo do Céu ao amanhecer, quando há dezenas de adultos a praticar e não há fila nenhuma. O que se evita é o eixo central da Cidade Proibida às 11h, com sol a pique e sem sombra.

Como encaixar isto num circuito

Pequim é quase sempre a porta de entrada e raramente se lhe dedicam mais de três noites. Nos nossos Circuitos Essenciais a cidade abre a viagem em três dias, com a Muralha no segundo; na Grande Travessia entra como primeiro capítulo de um percurso que segue para o interior. Para ver a lista completa do destino — onde dormir, o que comer — volte à página de Pequim.

Perguntas frequentes

Quantos dias são precisos para o que há para fazer em Pequim?

Três dias inteiros chegam para o eixo imperial, os hutongs, um templo e a Muralha. Quem tem dois dias tem de escolher: ou a Muralha, ou o Palácio de Verão. Com quatro dias entra ainda uma manhã no Templo dos Lamas e uma tarde de compras ou de arte contemporânea no 798.

Dá para visitar Pequim de metro?

Dá para quase tudo dentro do segundo anel. A rede é bilingue, barata e rápida, e as estações ficam a poucos minutos dos monumentos principais. Onde o metro não chega é à Muralha e ao trecho selvagem de Jiankou: aí vai-se de carro com motorista, porque os autocarros turísticos param em Badaling.

O que fazer em Pequim num dia de chuva?

O Museu Nacional da China, o Museu da Capital e o Palácio de Verão com os seus corredores cobertos. A Cidade Proibida em chuva fraca também se faz, e tem a vantagem de esvaziar; em chuva forte os pátios transformam-se em lama e os passadiços ficam escorregadios.

Vale a pena dormir dentro do segundo anel?

Vale, sobretudo para quem fica três noites. A diferença não é o conforto do hotel, é a meia hora poupada em cada deslocação, duas vezes por dia, durante três dias. É o que permite voltar ao hotel a meio da tarde e sair outra vez para a noite.

Os hutongs visitam-se de dia ou de noite?

De fim de tarde para a noite. De dia são ruas de comércio com gente a passar; depois das 18h as famílias saem para a rua, acendem-se os candeeiros e o lago Shichahai enche-se de gente a caminhar à volta da água. É a altura em que o bairro se parece com aquilo que ainda é.

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