Diário
O que levar na mala para a China
Quinze coisas que valem o espaço que ocupam, quatro que não valem e uma que lhe pode ser apreendida no controlo de segurança.
18 de outubro de 2026 · Equipa ChinaTravel.pt · bagagem · dicas · planeamento
O que levar na mala para a China cabe em quinze coisas, e começa por uma que quase toda a gente esquece: um adaptador universal. A China usa 220V como Portugal, por isso os carregadores funcionam sem transformador — mas as tomadas são uma mistura de três formatos e, no dia em que se chega às onze da noite e se precisa de carregar quatro aparelhos, um adaptador de quinze euros vale mais do que metade do que se trouxe.
Isto dito, a má notícia é que a mala certa para a China não é a mala certa para qualquer destino. Viajar em abril e viajar em janeiro em Harbin são duas listas diferentes, e a da frente é mais curta do que se imagina.
As quinze coisas
1. Adaptador universal. O ponto de partida. Compre um com entradas USB, porque as tomadas dos hotéis chineses estão muitas vezes atrás da cama.
2. Bateria externa com marcação 3C. A aviação civil chinesa exige que as baterias portáteis tenham a marcação 3C visível, e as companhias limitam-nas a 100 Wh. Sem marcação, pode ser apreendida. Na prática: uma bateria de marca reconhecida até 20.000 mAh resolve.
3. Os seus medicamentos, com receita. Em quantidade para a viagem mais uma semana. Acrescente antidiarreico em saquetas reidratantes, analgésico conhecido e anti-histamínico.
4. Lenços de papel e gel de mãos. As casas de banho públicas na China têm frequentemente falta de ambos. Um pacote de lenços na mochila todos os dias.
5. Garrafa térmica. Soa a conselho de avó e é dos melhores desta lista: há água quente gratuita em todo o lado — museus, estações, comboios — e uma garrafa de 500 ml mantém-na quente o dia inteiro. É também como se bebe água segura na China.
6. Sapatos de marcha já usados. Vai andar oito a quinze quilómetros por dia, muito dele sobre pedra. Leve os sapatos que já sabe que não lhe fazem marmeladas, não os novos.
7. Camadas de roupa. A amplitude térmica dentro de um dia chinês é grande, e o aquecimento nos hotéis e restaurantes é forte. Camisola interior, camisola, casaco que se tira.
8. Máscaras FFP2. Quatro ou cinco. Servem para as tempestades de areia de Pequim em março e abril, para os dias de má qualidade do ar e para a constipação que se apanha no avião.
9. Protetor solar e chapéu. O sol de verão chinês, com humidade, engana quem vem da Europa.
10. Capa de chuva leve. Não o guarda-chuva: a capa. Nas cidades chinesas, quando chove, chove a sério e há vinte mil guarda-chuvas a disputar o mesmo passeio.
11. Roupa discreta para templos. Ombros e joelhos cobertos nos mosteiros, sobretudo no Tibete. Não há obrigatoriedade geral, mas há sítios onde se nota a diferença.
12. Cópia do passaporte e fotografia. impressas, guardadas separadamente. E a fotografia também serve para a fotografia do visto, se for preciso.
13. Um telemóvel secundário, se tiver um velho em casa. Serve para pôr o chip chinês, quando houver, e para não andar a trocar de cartão.
14. Saco de roupa suja. Os hotéis na China lavam roupa, mas caro e devagar. Um saco resolve.
15. Presentes pequenos. Se vai encontrar alguém — e num circuito privado, vai conhecer o guia e o motorista —, um presente de Portugal é recebido com genuíno agrado. Pastéis, um vinho, uma peça de artesanato.
As quatro coisas que não valem o espaço
Roupa para todas as ocasiões. A China tem lavandarias baratas em todo o lado, com entrega no próprio dia nos hotéis de categoria média.
Secador de cabelo. Está em todos os hotéis.
Toalha de praia. Não há praia, e as toalhas de banho estão nos hotéis.
Numerário em grandes quantidades. Leve 500 a 1.000 yuans em Portugal e levante o resto no multibanco. E atenção: quantias acima do equivalente a 5.000 dólares americanos têm de ser declaradas na entrada.
O que se deixa em casa por ser problema na fronteira
Produtos frescos, carne, sementes e plantas. Apreendidos na alfândega, quase sempre com multa.
Drones. Exigem registo prévio na China e estão proibidos em praticamente todas as zonas que interessam: a Grande Muralha na sua totalidade, a Cidade Proibida, os centros históricos e os parques nacionais. Não vale a pena.
Literatura religiosa em quantidade. A entrada de material impresso de caráter religioso tem regras próprias e limites de volume.
A mala de inverno
Se vai entre dezembro e fevereiro, e sobretudo se vai à China de Inverno ou a Harbin, a lista muda:
- Camadas térmicas, primeira camada de lã merino.
- Casaco impermeável e corta-vento, com capuz.
- Luvas, gorro e cachecol, porque é onde o frio entra primeiro.
- Palmilhas térmicas e aquecedores de mãos descartáveis, que se compram lá por 5 yuans.
- Bateria externa guardada junto ao corpo: a frio, descarrega em duas horas.
- Protetor labial e creme hidratante. O ar seco do norte chinês parte os lábios em dois dias.
A mala para crianças
Metade daquilo que se leva para um adulto, mais três coisas: medicação infantil na dose certa, snacks conhecidos para as horas más e um casaco a mais, porque uma criança que passa frio não recupera o dia.
E um conselho que vem sempre de quem já foi: leve uma muda de roupa na bagagem de mão. As malas na China chegam quase sempre, mas quando não chegam, chegam no dia seguinte — e uma criança com a roupa toda no porão de Pequim, a caminho de Xi’an, não tem solução à venda nas redondezas.
Como organizar
Várias vezes fazemos esta pergunta ao contrário. Em vez de «o que levar?», «o que vai usar todos os dias?». A resposta é curta e devia orientar a mala:
- Sapatos, carregador, adaptador, telemóvel, passaporte, bateria externa, garrafa, lenços, casaco.
Tudo o resto é secundário e quase tudo se compra na China, com uma vantagem: é barato. Um casaco de inverno em Harbin custa 300 yuans e é melhor do que o que se traz.
A única coisa que não se compra lá
Há um item que não se compra na China com facilidade: os medicamentos de uso habitual, com a mesma dosagem e o mesmo nome. Por isso são o primeiro da lista e o último a sair da mala.
E há outro que não se compra e que devia ir sempre: o contacto de quem pode ajudar, em papel, no bolso.
Para quem quer a lista completa e por categoria, o nosso guia de bagagem tem tudo. E como a mala se cruza com duas decisões práticas — como ter internet e como pagar —, vale a pena ler os de internet e de pagamentos antes de fechar o fecho.
Perguntas frequentes
Que tipo de adaptador é preciso na China?
A China usa 220V, como Portugal, pelo que os carregadores funcionam sem transformador. As tomadas, no entanto, são uma mistura de três formatos: tipo A, tipo I e tomadas universais nos hotéis novos. A solução mais simples é um adaptador universal de boa qualidade, que custa entre 10 e 20 euros.
Posso levar uma bateria externa?
Pode, mas convém saber duas regras: a aviação civil chinesa exige que as baterias portáteis tenham marcação 3C visível, e a maioria das companhias limita-as a 100 Wh e a dois exemplares por passageiro. Uma bateria sem marcação reconhecível pode ser apreendida no controlo de segurança.
Devo levar medicamentos?
Sim, os seus, em quantidade para a viagem mais uma semana, e com a receita ou uma declaração médica. As farmácias chinesas são boas e baratas, mas os nomes dos princípios ativos nem sempre correspondem aos de Portugal e raramente há alguém que fale inglês ao balcão.
O que não se deve levar para a China?
Produtos frescos, carne, sementes e plantas, que são apreendidos na alfândega. Drones, que exigem registo e estão proibidos em muitas áreas, incluindo toda a zona da Grande Muralha e da Cidade Proibida. E literatura religiosa em quantidade, que tem regras próprias de entrada.
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