Diário
Primeira vez na China: o que saber antes de ir
Pagamentos, casas de banho, água, tomadas, filas e a barreira da língua. As dez coisas que ninguém conta e que se resolvem em Portugal.
18 de outubro de 2026 · Equipa ChinaTravel.pt · dicas · primeira viagem · planeamento
A primeira viagem à China resolve-se em Portugal, não em Pequim. Resolvem-se três coisas antes do voo — o visto ou a confirmação da isenção, o pagamento por telemóvel e a internet — e com elas feitas, quase tudo o resto se resolve em terra em cinco minutos.
O que se segue é a lista do que as pessoas não sabem e que importa mais do que qualquer itinerário. Nenhum destes pontos é grave; todos juntos são a diferença entre uma viagem fluida e uma sucessão de pequenos problemas.
1. Na China não se paga com cartão
Isto é o que mais apanha as pessoas. Fora dos hotéis de quatro e cinco estrelas e das grandes cadeias, o pagamento é por código QR: abre-se o Alipay ou o WeChat Pay, aponta-se, paga-se.
Com um cartão português, a resposta «não aceitamos» é a mais provável na maioria dos sítios. A solução, que se resolve em casa em quinze minutos, está no nosso guia de pagamentos: instalar o Alipay, registar o cartão e fazer um teste.
Leve 500 a 1.000 yuans em numerário como reserva. Há bilheteiras e mercados onde ainda é o único método.
2. Leve papel higiénico e lenços
As casas de banho públicas na China têm frequentemente dois pontos fracos: não têm papel e não têm sabão. As de estações, aeroportos e hotéis são diferentes e estão bem; as de estações de metro antigas e de áreas de serviço, não.
Leve um pacote de lenços de papel na mochila todos os dias e um frasco pequeno de gel. É o conselho mais prosaico desta lista e o que mais vezes se agradece.
Quanto aos sanitários, prepare-se para encontrar sanitas à turca fora dos hotéis e dos centros comerciais modernos. Há quase sempre um ou dois cubículos com sanita sentada; procure-os ao fundo.
3. A água ferve-se
A água da torneira na China é tratada na origem, mas a canalização de cada edifício é outra história. Os chineses não bebem água da torneira: fervem-na, e é o que se deve fazer.
Todos os hotéis têm fervedor elétrico no quarto. Nos museus, nos comboios e nas estações há dispensadores de água quente gratuitos. E nas ruas, bebe-se água engarrafada, que custa 2 a 4 yuans.
Evite gelo em bebidas de estabelecimentos pequenos. Nos sítios maiores é produzido com água tratada e não há problema.
4. Tomadas e voltagem
A China usa 220V, como Portugal, pelo que os carregadores funcionam. As tomadas, no entanto, são uma mistura: tipo A (duas fichas planas, como nos EUA), tipo I (australiana) e, em muitos hotéis novos, tomadas universais.
A solução mais simples é levar um adaptador universal de boa qualidade. Custa 15 euros e resolve tudo.
Nos comboios de alta velocidade, cada lugar tem tomada. Nos autocarros de longo curso, nem sempre.
5. Não se dá gorjeta
Na China não há cultura de gorjeta em restaurantes, táxis ou hotéis — e em muitos sítios tentar deixá-la gera confusão. Deixar moedas em cima da mesa faz com que o funcionário corra atrás de si para as devolver.
As exceções são as que envolvem serviço prestado a estrangeiros: um guia e o motorista de um circuito privado. Aí, sugerimos entre US$ 10 e US$ 14 por pessoa e por dia, divididos entre os dois.
6. O telemóvel é a sua carteira
Prepara-se para usar o WeChat para quase tudo: falar com o hotel, ver o menu do restaurante, pagar, pedir um carro e, em muitos casos, abrir a porta do quarto.
Não é opcional. Reserve vinte minutos antes do voo para instalar WeChat e Alipay e completar a verificação. Fazê-lo com a internet do hotel, na primeira noite, é a receita para uma hora perdida e para uma chamada ao suporte.
7. A língua fecha portas
Fora das grandes cidades, o inglês é raro e o mandarim é o único caminho. Nas três maiores cidades resolve-se com tradutor, mas resolver-se não é a mesma coisa que conversar-se.
A forma prática de contornar isto: tenha sempre os endereços escritos em caracteres chineses para mostrar. O tradutor automático falha com nomes de ruas com muito mais frequência do que se imagina, e uma folha impressa funciona sempre.
Os detalhes, incluindo as frases que realmente ajudam, estão no nosso guia de língua.
8. Há controlo de segurança no metro e há filas
Entrar no metro de Pequim ou Xangai implica passar a mochila pelo raio X. Não demora, mas nas horas de ponta há fila. O mesmo se aplica aos comboios e a muitos museus.
A regra geral: conte mais 15 minutos para cada deslocação com passagem por controlo. Em dez dias, são horas.
9. Os monumentos têm bilhete nominal
A China adoptou bilhete nominal em quase todos os sítios de primeira linha: o bilhete pede o número do passaporte, a lotação é limitada e esgota. A Cidade Proibida liberta lugares sete dias antes e esgota no próprio dia em abril, maio, setembro e outubro.
Reserve no primeiro dia em que ficam disponíveis, e apresente o passaporte na entrada. Não há bilhete em papel na maioria dos casos.
10. O jet lag vale um dia
A diferença de Lisboa para a China é de sete a oito horas. O primeiro dia na China não é um dia de visitas: é o dia em que se chega, se faz o check-in e se dorme mal.
Não se marca a Cidade Proibida no dia de chegada. Marca-se um passeio leve e uma refeição boa.
A forma prática de lidar com o desfasamento: apanhe sol de manhã, ande a pé e não durma depois das 16h. Os primeiros dois dias vão ter uma noite acordada às três da manhã, e é perfeitamente normal. O que não se deve fazer é marcar uma visita às oito da manhã no segundo dia: vai ser feita a dormir e vai estragar a lembrança de um sítio bom.
O que fica de fora desta lista
Há duas coisas que não são problemas e que as pessoas esperam que sejam: a segurança e a comida.
A China é um dos países mais seguros do mundo para viajar. Andar à noite numa cidade chinesa grande não tem nada a ver com fazê-lo numa cidade europeia grande — os crimes contra turistas são raros e os pequenos furtos, também.
E a comida, para quem come carne ou peixe, é das melhores do mundo; para vegetarianos e veganos, exige algum trabalho, mas há solução.
Por onde começar
Se está a planear a primeira viagem à China, comece por saber quantos dias precisa e depois pelo visto, que é a peça com prazos. A partir daí, o itinerário que mais vezes construímos para uma primeira vez é Pequim, Xi’an e Xangai, o nosso China Essencial.
E se achar que dez dias não chegam, é porque provavelmente não chegam — mas essa é uma boa decisão de ter, porque a China fica melhor na segunda vez do que na primeira.
Perguntas frequentes
O que é mais importante resolver antes de viajar à China?
Três coisas, por esta ordem: o visto ou a confirmação da isenção, o pagamento por telemóvel (Alipay ou WeChat Pay ligados a um cartão) e a internet — de preferência um eSIM de dados comprado em casa. Sem estes três, a viagem passa a ter atrito em cada esquina.
Os cartões portugueses funcionam na China?
Nos hotéis de categoria alta e nas grandes superfícies, sim. Nos restaurantes, táxis, mercados e bilheteiras, quase nunca. O pagamento faz-se por código QR, e é por isso que instalarmos o Alipay antes do voo muda a viagem inteira.
É preciso falar chinês?
Não, mas convém ter tradutor no telemóvel e, sobretudo, os endereços escritos em caracteres. Fora das grandes cidades e dos hotéis internacionais, o inglês é raro; nas três maiores cidades resolve-se. É por isso que um guia em português abre portas que um tradutor não abre.
A água da torneira é segura?
Não para beber. A água da torneira na China é tratada, mas a canalização e a caldeira de cada prédio não seguem o mesmo padrão. Os chineses fervem a água antes de a beber, e é o que deve fazer-se: os hotéis têm fervedor no quarto, e nas ruas há água quente grátis em todo o lado.
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