Diário
Que vacinas são precisas para viajar à China
Nenhuma é obrigatória para quem vem de Portugal. Duas são recomendadas. E há uma consulta que deve marcar seis semanas antes do voo.
18 de outubro de 2026 · Equipa ChinaTravel.pt · saúde · documentos · dicas
Para viajar à China a partir de Portugal não é precisa nenhuma vacina obrigatória. A única cujo certificado pode ser exigido na fronteira é a da febre amarela, e apenas a quem chegue de um país com risco de transmissão — o que não é o caso de Portugal nem da Europa.
As vacinas recomendadas são duas: hepatite A e febre tifoide. E há uma terceira coisa que importa mais do que qualquer vacina: marcar uma consulta de medicina do viajante entre quatro e seis semanas antes da partida, porque algumas exigem duas doses e a proteção não é imediata.
Isto dito, convém ser franco sobre o que este artigo é: informação prática para preparar uma viagem, não aconselhamento médico. Quem decide é o seu médico, e a referência oficial em Portugal é a Direção-Geral da Saúde.
As duas que se recomendam sempre
Hepatite A. É a mais recomendada de todas, e a razão é simples: transmite-se por água e alimentos, que é precisamente o risco que existe numa viagem à China. São duas doses, com intervalo de seis a doze meses, e a proteção fica ativa cerca de duas semanas depois da primeira. Uma dose já protege durante um ano; a segunda protege durante décadas.
Febre tifoide. Recomenda-se para permanências em que se coma fora com frequência, o que numa viagem à China é todas as refeições. Existe em versão injetável, de dose única, e em versão oral, de três cápsulas. A proteção não é total, mas reduz muito o risco de uma doença grave.
Nenhuma das duas é cara, e nenhuma dá complicações relevantes. Vale a pena fazê-las.
As vacinas de rotina
Antes de falar de vacinas exóticas, convém verificar se as do plano português estão em dia. E muitas vezes não estão:
- Tétano e difteria: reforço a cada dez anos. Se não sabe quando tomou o último, não está em dia.
- Poliomielite: mesma lógica.
- Tríplice vírica (sarampo, parotidite e rubéola): quem nasceu depois de 1970 e não tem a segunda dose documentada deve recebê-la.
Isto é grátis no centro de saúde e resolve-se em duas consultas. Para um adulto de quarenta anos que não pensa no assunto desde os quinze, é frequentemente a parte mais útil da preparação.
As que dependem do tipo de viagem
A China é grande e as recomendações mudam conforme se vai a Pequim ou às montanhas do Yunnan.
Hepatite B. Recomenda-se para estadias longas, para quem vai trabalhar em contexto de saúde e para quem prevê contacto com sangue ou procedimentos médicos. Para duas semanas de turismo, não é sistemática.
Raiva. Não se recomenda por rotina. Passa a recomendar-se em estadias longas em zonas rurais, em trabalho com animais e em viagens de bicicleta ou de bicicleta por zonas remotas. Nos nossos itinerários clássicos, não se justifica.
Encefalite japonesa. É transmitida por mosquitos em zonas de arrozal, sobretudo no sul e no verão. Só se recomenda a quem passe semanas em áreas rurais nessa época. Para quem vai a Guilin três dias, não se põe.
Malária. O risco na China é hoje residual e muito localizado: no sul do Yunnan, junto às fronteiras com o Laos e Myanmar, e em partes de Hainan. Para os itinerários que vendemos — Pequim, Xi’an, Xangai, Chengdu, Guilin — não se recomenda medicação profilática. A proteção contra picadas chega.
Dengue. Existe no sul do país nos meses de verão, e não há vacina de uso generalizado para viajantes. A prevenção é repelente e roupa comprida ao amanhecer e ao anoitecer.
O que não é vacina e também importa
Três coisas que causam mais problemas a viajantes do que qualquer doença tropical:
A água. A água da torneira na China não se bebe. Ferve-se, ou bebe-se engarrafada. É uma regra simples, e a que mais gente esquece na pressa.
O ar. Nas cidades grandes, sobretudo em Pequim e nas semanas de março e abril com tempestades de areia, a qualidade do ar pode cair a níveis maus. Quem tem asma ou bronquite crónica deve levar a medicação de resgate e máscaras FFP2.
A altitude. Lhasa está a 3.650 metros e Shangri-La a 3.200. Isto não se resolve com vacinas: resolve-se com dias de aclimatação e com subida gradual. Quem tem problemas cardíacos ou respiratórios deve falar com o médico antes de incluir essas regiões.
O que levar na mala
Monte uma pequena farmácia de viagem. Não é exagero: é o que evita passar uma manhã à procura de uma farmácia que não tem o que se precisa.
- Medicação habitual, em quantidade para a viagem mais uma semana, com receita em papel.
- Antidiarreico e reidratante oral, em saquetas.
- Analgésico e antipirético de uso conhecido.
- Anti-histamínico, para picadas e para pólen.
- Repelente com DEET, para o sul no verão.
- Pensos rápidos e desinfetante; as farmácias chinesas são boas, mas os nomes não ajudam.
- Máscaras FFP2, quatro ou cinco.
- Protetor solar e chapéu; o sol de verão chinês é forte.
O seguro
Isto não é uma vacina, mas é a coisa mais importante desta lista. Um seguro de viagem para a China deve ter, no mínimo: assistência médica sem franquia, repatriamento sanitário e cobertura de urgência em hospitais privados.
Na mesma pasta guarde também o contacto da assistência, o número da apólice e uma lista dos seus medicamentos com o nome genérico — não o de marca, que na China não existe. E se toma medicação de uso continuado, leve o dobro do que precisa e divida-o por duas malas: uma mala extraviada não deve significar um tratamento interrompido.
Os hospitais públicos chineses são bons mas têm filas longas e atendimento em chinês. Os hospitais internacionais das cidades grandes atendem em inglês e são caros. Um seguro com cobertura de 100 mil euros custa entre 40 e 120 euros por pessoa para duas semanas, e é o melhor dinheiro gasto da viagem.
O calendário prático
Seis semanas antes: marque a consulta de medicina do viajante, levando o itinerário. Quatro semanas antes: faça as vacinas recomendadas. Duas semanas antes: confirme que levou o boletim. Na semana da viagem: compre o seguro e guarde o contacto da assistência no telemóvel e em papel.
Em resumo
Para uma viagem clássica de dez a catorze dias: hepatite A, febre tifoide e rotina em dia. Para viagens longas, rurais ou de altitude, a lista muda, e é por isso que a consulta existe.
E uma última nota prática, que temos repetido aos nossos clientes desde sempre: a melhor proteção contra problemas de saúde na China não está na seringa — está em beber água engarrafada, comer onde há fila de locais e lavar as mãos. Os detalhes de como se faz isso no dia a dia estão no nosso guia de saúde, e os da mala, no de bagagem.
Perguntas frequentes
É preciso alguma vacina obrigatória para entrar na China?
Para quem viaja de Portugal, não. A única vacina cujo certificado pode ser exigido é a da febre amarela, e apenas a passageiros que cheguem de países com risco de transmissão — o que não é o caso da Europa. Leve, ainda assim, o boletim de vacinas na bagagem de mão.
Que vacinas são recomendadas?
Duas de forma sistemática: a hepatite A e a febre tifoide. E a atualização das vacinas do plano português — tétano, difteria, poliomielite e a tríplice vírica. As restantes dependem do tipo de viagem, e é por isso que a consulta de medicina do viajante vale a pena.
Com que antecedência devo ir à consulta do viajante?
Entre quatro e seis semanas antes da partida. Algumas vacinas precisam de duas doses com intervalo, e a proteção da hepatite A só fica completa duas semanas depois da primeira. Ir na semana anterior à viagem é tarde para quase tudo.
Há risco de malária na China?
Há um risco residual e muito localizado no sul do Yunnan, junto às fronteiras com o Laos e Myanmar, e em partes de Hainan. Para os itinerários clássicos — Pequim, Xi'an, Xangai, Guilin, Chengdu — não se recomenda medicação profilática, apenas proteção contra mosquitos.
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