Destinos
Harbin
Uma cidade inteira feita de gelo, iluminada por dentro. Nada prepara o viajante para menos 30 graus.
Ficha prática
- Melhor época
- dez–fev
- Noites sugeridas
- 2 a 3 noites
- Região
- Nordeste
- Reserva obrigatória
- Festival Internacional de Gelo e Neve
Harbin é a capital da província mais ao norte da China e tem fama de cidade feia e industrial. Durante três meses por ano, essa avaliação se inverte completamente: ergue-se uma segunda cidade, inteira de gelo e neve compactada, com palácios, escorregadores e torres iluminadas por dentro por tubos de neon coloridos encravados no gelo. É a única coisa assim no mundo nesta escala.
Porque visitar
Porque é o extremo. É a cidade mais fria que um viajante vai visitar alguma vez, e essa experiência física — o ar que dói dentro do nariz, o som da neve rangendo, o vapor saindo da roupa quando se entra num café — não se repete em nenhum outro ponto da China.
E porque Harbin não é só gelo: foi construída por engenheiros russos em 1898 como nó ferroviário da Transiberiana, e guarda o melhor conjunto de arquitetura russa fora da Rússia. Para quem quer entender a diversidade real do turismo na China, o nordeste completo é um país diferente do sul. A cidade funciona também como base de inverno para a China Inverno, o nosso roteiro de estação fria, e encaixa-se sempre depois de Pequim.
O que ver e fazer
O Festival Internacional de Gelo e Neve. O recinto principal fica na ilha do rio Songhua e ocupa o equivalente a dezenas de campos de futebol, com réplicas em tamanho real de templos e palácios feitas de blocos de gelo do próprio rio. Vai-se depois das 16h30, quando as luzes acendem e o gelo fica translúcido. Ingresso caro para os padrões chineses, cerca de 330 yuans.
O Mundo do Gelo e da Neve não é o único. Também há o festival de esculturas de neve na ilha do Sol, e ao longo do rio Songhua há escorregadores de gelo, trenós puxados por huskies e piscinas escavadas no gelo para mergulho de inverno.
A Rua Central (Zhongyang Dajie). Calçada de paralelepípedos de 1898 ladeada de edifícios russos: bancos, hotéis, lojas de pão e de sorvete — vende-se sorvete na rua a menos 25 graus, e vende-se bem. No fim da tarde é o passeio mais agradável da cidade.
A Catedral de Santa Sofia. De tijolo e cúpula verde, construída em 1907 para os ferroviários russos e restaurada. Fica no meio de um quarteirão de concreto, o que faz parte do encanto. À noite tem iluminação cênica e música na praça, o que transforma uma visita de dez minutos num fim de tarde.
O Museu e o Parque Stalin. Pouco visitados, contam a ocupação japonesa e a indústria pesada que construiu a região. Meia hora. A Vila Nenhumtempo (Xuexiang) fica a cinco horas de estrada e é o destino de neve profunda que se junta para quem tem mais dias — casas de madeira com telhados de neve de um metro.
Como organizamos
Não vendemos Harbin sem preparação. Enviamos uma lista de equipamento com três semanas de antecedência — casaco até menos 30, calças térmicas, botas de sola grossa, luvas de duas camadas, gorro que cubra as orelhas — e reservamos o aluguel local para quem não quer comprar.
Dividimos o festival em duas noites em vez de uma, porque a primeira serve para ver e fotografar e a segunda para repetir o que mais se gostou sem pressa. Entre idas, agendamos sempre uma refeição num restaurante aquecido.
Fornecemos aquecedores de mão descartáveis, trocamos de luvas em intervalos regulares e mantemos o carro e o guia na porta do recinto, em vez de deixar o grupo esperando na saída. É uma questão de segurança, não de conforto.
Quanto tempo ficar
Duas noites permitem duas idas ao recinto do festival, uma para ver tudo e outra para repetir com calma, mais uma manhã para a cidade russa. É o mínimo: uma noite só dá para uma entrada e obriga a correr de luz acesa a luz acesa.
Três noites é o que recomendamos sempre que possível. Dão para juntar a ilha do Sol e as esculturas de neve, que são um recinto diferente do das esculturas de gelo, e ainda para uma refeição comprida de cozinha do nordeste sem relógio.
Quatro a cinco noites valem para quem acrescenta Xuexiang, a vila de neve profunda a cinco horas de estrada, com casas de madeira e telhados cobertos de um metro de neve. É o complemento que transforma o roteiro numa viagem de inverno a sério.
Repare que a temporada é curta — de fins de dezembro a fins de fevereiro — e que em janeiro o frio é extremo. Quem tem pulmões ou coração sensíveis deve falar conosco antes de reservar; adaptamos o programa e não vendemos esforço a quem não o pode fazer.
Quando ir
Dezembro. Abre o festival, mas antes do Natal a maior parte ainda está por acabar. Frio a sério a partir da segunda quinzena: menos 10 a menos 25 graus.
Janeiro. O pico do frio e a melhor qualidade do gelo: menos 20 a menos 30 graus, com mínimas extremas de menos 35 em noites de céu limpo. É quando as esculturas estão no melhor estado e quando há mais visitantes chineses.
Fevereiro. Ainda com tudo aberto, um pouco menos frio (menos 15 a menos 22) e o Ano Novo Lunar caindo em algum momento deste mês — reservar hotéis com dois meses de antecedência nesses casos.
Março a novembro. Não se recomenda. O gelo derrete no início de março e a cidade perde o que a torna única.
Onde ficar
Junto à Rua Central (Daoli). É a única escolha que faz sentido. Fica-se no centro histórico, a pé da catedral e das lojas, e há restaurantes no quarteirão ao lado, o que importa quando se entra e sai de lugares quentes a cada duas horas.
Em Songbei, junto ao recinto do festival. Hotéis novos do outro lado do rio, mais perto das esculturas, mas sem nada ao redor depois de fechar a porta.
Evitamos os subúrbios industriais ao sul e tudo o que obrigue a mais de vinte minutos de táxi em trânsito gelado. Outro critério nosso: o hotel tem de ter porta giratória ou porta dupla com saguão, porque é a diferença entre entrar e sair sem levar uma lufada de menos 25 na cara.
O que comer
Com este frio, a comida tem de ter gordura. O prato da cidade são os pastéis de porco em caldo de repolho, que se comem com molho de alho e pão de milho, e o guo bao rou, fatias de porco fritas com molho agridoce, uma receita de origem russa adaptada.
Há uma feira noturna junto à Rua Central com espetinhos grelhados, batata-doce assada e fruta congelada vendida a peso — as peras e os caquis congelados são uma especialidade local, comidos assim, duros.
E depois há o pão russo, vendido em padarias centenárias da Rua Central, e os pastéis de feijão doce fritos. Para aquecer por dentro, o chá preto com açúcar e — para quem aceita — o licor local de sorgo a 50 graus.
Como chegar
O aeroporto internacional de Harbin Taiping fica a 33 km a sudoeste, com voos diretos desde Pequim (2 horas), Xangai e Guangzhou.
De trem de alta velocidade: Pequim–Harbin em 4h30 a 7h, desde a estação de Harbin Oeste; há também trem noturno com camarotes, que algumas pessoas preferem por não perder um dia de viagem — não recomendamos, dorme-se mal e os vagões são barulhentos.
Todos os traslados aqui são feitos em carro com aquecimento ligado quinze minutos antes da busca. É um detalhe que em Harbin deixa de ser detalhe. O mesmo princípio se aplica aos restaurantes: ligamos antes para confirmar que o salão está aquecido, porque em janeiro há casas que só aquecem na hora do jantar.
O que a maioria das agências faz mal aqui
Ir ao recinto de dia. Sem luz dentro do gelo, o festival perde metade do que é. Entramos depois das 16h30, quando acendem, e ficamos duas a três horas no máximo.
Marcar uma entrada única. A primeira passagem serve para localizar; a segunda é que se aproveita. Dividimos sempre em duas noites, com jantar aquecido pelo meio.
Esconder o frio até a chegada. Há agências que vendem Harbin como «uma experiência divertida» e entregam o cliente a menos 28 sem casaco adequado. Enviamos lista de equipamento com três semanas de antecedência e cuidamos do aluguel no local para quem não quer comprar.
Deixar o grupo na saída do recinto. À uma da manhã, a menos 30, dez minutos de espera por um ônibus são um problema de saúde. O nosso carro e o guia ficam na porta durante todo o tempo.
Fechar a viagem em Harbin. Depois do nordeste, a volta ao continente obriga a um voo ou a sete horas de trem até Pequim. Encadeamos sempre Harbin com duas ou três noites finais em Pequim, onde se recupera o calor e se compram as últimas coisas.
Trabalhamos o nordeste com grupos de dois a seis viajantes e guia em português, sem qualquer parada comercial no programa.
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Como organizamos
01
Chegamos antes
Entramos nos monumentos antes dos ônibus de turismo. A Muralha às 7h, a Cidade Proibida às 8h30.
02
Guia em português
Um único guia do primeiro ao último dia, em português. Sem trocas de acompanhante entre cidades.
03
Reservas por nossa conta
Cuidamos das reservas nominais que exigem passaporte, incluindo as que esgotam na alta temporada.
Perguntas frequentes
Quando acontece o Festival de Gelo de Harbin?
Abre normalmente no final de dezembro e fecha no final de fevereiro. Há uma pré-abertura em meados de dezembro com uma parte ainda incompleta; as esculturas maiores só ficam prontas depois do Natal. Confirmamos as datas exatas todos os anos antes de vender o roteiro.
Que temperatura faz em Harbin no inverno?
Entre menos 15 e menos 30 graus, com sensação térmica menor por causa do vento. Com roupa adequada aguenta-se bem. Fornecemos lista de equipamento e ajudamos a alugar casaco térmico, luvas e botas no local.
Quanto tempo se aguenta ao ar livre?
Duas a três horas seguidas com equipamento completo. Depois entra-se num café ou numa sala aquecida. O festival em si faz-se de duas em duas horas, com pausas pelo meio.
Os celulares e as câmeras funcionam com este frio?
Funcionam, mas as baterias descarregam em minutos. Levam-se baterias sobressalentes guardadas junto ao corpo e aquecedores de mão descartáveis nos bolsos. É uma das coisas que avisamos antes de partir.
Vale a pena ir fora da época do festival?
Para a paisagem de neve e o patrimônio russo da cidade, vale. Para as esculturas de gelo, não — sem elas Harbin é uma cidade industrial grande, e recomendamos outro destino.
Roteiros que incluem Harbin
Falar com quem organiza
Quer Harbin em 2 a 3 noites ou de outra maneira?
Diga quantos são, quando querem ir e o que não pode faltar. Ajustamos o roteiro a partir daqui.
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