Destinos
Xi'an
Oito mil soldados de terracota, cada um com um rosto diferente. E uma muralha onde se anda de bicicleta no pôr do sol.
Ficha prática
- Melhor época
- mar–mai · set–nov
- Noites sugeridas
- 2 noites
- Região
- Centro
- Reserva obrigatória
- Exército de Terracota · Museu de História de Shaanxi
Xi’an é o ponto de partida da Rota da Seda e foi capital de treze dinastias. Hoje é uma cidade de província com doze milhões de habitantes, um centro histórico muralhado que se atravessa a pé e o sítio arqueológico mais famoso do país. É também o segundo capítulo natural de qualquer primeira viagem à China: três horas e meia de Pequim, ou quatro e meia, de trem de alta velocidade.
Porque visitar
Porque é aqui que os dois milênios de história imperial chinesa ficam visíveis em objetos concretos, e não só em ruínas. Nenhuma outra cidade chinesa permite estar, na mesma manhã, em frente de uma fila de oito mil guerreiros de barro modelados há 2.200 anos e, à tarde, andar de bicicleta em cima de uma muralha de tijolo com 600 anos.
É também uma cidade que ainda se vive à escala humana: mercados de bairro com comida de rua, casas de chá no fim da tarde e um centro que se percorre sem transporte. Para quem procura turismo na China fora do eixo Pequim–Xangai, Xi’an é a parada onde o país se torna legível. Fica no ponto em que a Rota da Seda se dividia em dois ramos, e ainda hoje é a cidade chinesa onde se comem mais coisas com as mãos, com pão partido, do que com pauzinhos.
O que ver e fazer
O Exército de Terracota. Fica em Lintong, 40 km a leste. São quatro fossos cobertos por hangares; visitam-se nesta ordem — Fosso 1, o maior, com a tropa principal; Fosso 3, o posto de comando; Fosso 2, deixado meio por escavar de propósito, para se ver como era antes da escavação; e por fim o museu do local, onde estão as duas carruagens de bronze em meia escala. Cada figura tem traços diferentes: o penteado, o bigode e a armadura variam. Reserve pelo menos três horas.
As Termas de Huaqing. No caminho de volta, na encosta do monte Li. São os banhos imperiais da dinastia Tang e o cenário do incidente de 1936 que mudou a guerra civil chinesa. Meia hora basta, mas justifica a parada.
A Muralha da Cidade. Treze quilômetros e setecentos metros de retângulo perfeito, doze metros de altura, larga o suficiente para andar de bicicleta em cima. Entramos pelo Portão Sul, Yongningmen, que é o mais restaurado e fica ao lado do bairro muçulmano. Aluga-se bicicleta simples ou de dois lugares; devolve-se em qualquer um dos quatro portões principais. Abre até às 22h no verão. Fazemos o trecho sul em cerca de uma hora, parando nas torres de vigia, e descemos em Yongningmen a tempo do pôr do sol.
O Bairro Muçulmano. A rua Bei Yuanmen é a parte turística; entrar por ela e sair logo em seguida para as travessas Xiyangshi e Dapiyuan é onde estão os locais. Ao lado fica a Grande Mesquita de Xi’an, com arquitetura chinesa e pátios de jardim — uma das mesquitas mais antigas do país, ainda em funcionamento.
A Grande Pagode do Ganso Selvagem. Construída em 652 para guardar as escrituras trazidas da Índia pelo monge Xuanzang. Sobe-se por dentro. À noite, a praça ao norte tem o maior espetáculo de fontes da Ásia, começando por volta das 20h30 no verão.
O Museu de História de Shaanxi. Gratuito, mas com reserva nominal limitada; reservamos com dias de antecedência. Fecha às segundas-feiras. É o melhor museu de província da China para entender a sequência dinástica sem ler um livro.
Como organizamos
Fazemos Xi’an sempre no sentido leste–oeste, ligando de trem de alta velocidade a Pequim ou a Chengdu. O dia do Exército de Terracota começa às 7h30 com busca no hotel e saída imediata para Lintong, para estar na porta da bilheteria antes das 8h30. Os grupos chegam às 10h30; a diferença entre entrar primeiro e entrar depois é estar na frente da balaustrada ou atrás de três filas de gente.
Contratamos sempre o guia do próprio sítio arqueológico para os primeiros quarenta minutos, porque explica a técnica de escavação que os nossos guias conhecem, mas que faz diferença ouvir do arqueólogo. À tarde deixamos duas horas livres — as pessoas cansadas voltam ao hotel, as restantes ficam nos museus.
Se o viajante quer subir ao monte Hua, reservamos um dia inteiro e avisamos que são degraus a sério. Vai-se de trem rápido até a estação de Hua Shan Norte em 40 minutos, sobe-se de teleférico ao Pico Oeste e regressa-se no fim do dia. Avisamos sempre com antecedência sobre a trilha de tábuas sobre o precipício: tem arnês, cobrado à parte, e não é para quem tem vertigens.
Quanto tempo ficar
Duas noites chegam para o que é obrigatório: uma manhã em Lintong, a muralha no fim da tarde, o bairro muçulmano no jantar e a Grande Pagode depois de escurecer. É o ritmo que usamos nos nossos roteiros privados de dez dias, e ninguém fica com a sensação de ter perdido o essencial.
Três noites permitem juntar o museu de Shaanxi sem pressa e uma escapada: o monte Hua, a duas horas de ida e volta mais seis de caminhada, ou Famen e o mausoléu de Qin Shi Huang no mesmo dia. Para quem valoriza museus, a terceira noite rende mais aqui do que em qualquer outra cidade do eixo.
Uma noite — o que muitas agências de viagens propõem na China — obriga a escolher entre os guerreiros e a cidade, e quase sempre se perdem os dois: chega-se a Lintong às 11h, come-se à pressa e vai-se para a estação às 16h. Não recomendamos.
Quando ir
Março a maio. 8 a 26 graus, poeira possível em março, mas boa luz e parques em flor.
Junho a agosto. 24 a 38 graus, úmido, com trovoadas fortes à tarde. O Exército de Terracota fica dentro de hangares sem ar condicionado — a manhã é obrigatória.
Setembro e outubro. 8 a 22 graus, a melhor altura. Evitar de 1 a 7 de outubro, a Semana Dourada: o sítio arqueológico recebe dezenas de milhares de visitantes por dia.
Novembro a março. Menos 5 a 8 graus, seco, com aquecimento forte nos hotéis. Os picos de neve do Qinling ao sul ficam visíveis nos dias claros. É quando se encontra a cidade mais vazia.
Onde ficar
Dentro das muralhas, no distrito de Beilin. É o único lugar que faz sentido: fica-se a dez minutos a pé do Portão Sul da muralha, da Torre do Sino e do bairro muçulmano.
Dentro dessa zona, preferimos as ruas secundárias perto do Portão Sul em vez da frente da Torre do Sino: a vista é pior, mas as noites são silenciosas, o que importa porque a Torre do Sino tem trânsito passando a noite toda.
Para quem quer subir de gama, as casas boutique convertidas em pátios de Xi’an, perto da muralha sul, são as melhores do nosso portfólio. Ficar fora do segundo anel só compensa se houver carro privado na porta, o que nos nossos roteiros privados é o caso.
O que comer
A comida de Xi’an é comida do noroeste: trigo e carneiro, não arroz. O yangrou paomo é o prato da cidade — desfaz-se o pão à mão para dentro da tigela e devolve-se à cozinha, que o cobre com caldo de carneiro cozido durante horas.
Depois há o roujiamo, carne de porco desfiada em pão achatado, que em Xi’an se come no café da manhã; as biangbiang mian, massas largas e grossas com pimentão e alho por cima; a liangpi, massa fria de amido com vinagre e óleo de pimentão; e o guokui, pão assado na parede do forno. No outono, os bolos de caqui fritos vendem-se nas bancas do bairro muçulmano.
Cerveja local, e chá verde de Shaanxi para limpar a gordura. Para jantares com mais tempo, os restaurantes de cozinha de Shaanxi com sala de espeto e música costumam ficar nas travessas da avenida do Portão Sul.
Como chegar
O aeroporto de Xianyang (XIY) fica 40 km a noroeste. Liga-se por metrô pela linha 14, cerca de 50 minutos, ou de táxi por cerca de 150 yuans e 45 minutos.
De trem de alta velocidade, Xi’an Norte tem ligações diretas frequentes: Pequim em 4h30 a 6h, Xangai em 6h a 7h30, Chengdu em 3h a 4h. Nós reservamos sempre lugares em primeira classe, numerados, e cuidamos do check-in — com passaporte na mão, porque o controle de identidade nas estações é nominal.
Todos os nossos roteiros incluem busca no aeroporto e na estação, e traslados privados para Lintong no dia do Exército de Terracota. Nada disso se faz bem nos ônibus turísticos que partem da Torre do Sino às 9h.
O que a maioria das agências faz mal aqui
Começar Lintong tarde. O ônibus turístico das 9h chega ao sítio arqueológico perto das 10h30, exatamente quando os pavilhões estão cheios. Saímos do hotel às 7h30 e entramos às 8h30, ainda com o ar fresco dentro do hangar.
Fazer os quatro fossos na ordem errada. Quase todo mundo vai primeiro ao Fosso 1, gasta ali uma hora e chega ao 2 e ao 3 já cansado. Invertemos: começamos pelo 3, o posto de comando, que é pequeno e dá contexto, e guardamos a tropa principal para o fim.
Oferecer o monte Hua como passeio de tarde. São degraus a sério, seis a sete horas para quem faz o circuito dos picos; o teleférico do Pico Oeste resolve a subida, mas não a volta. Vendemos como dia inteiro, com aviso sobre a trilha de tábuas, ou não vendemos.
Servir yangrou paomo já desfeito na cozinha. O pão é para se desfazer à mão, em pedaços do tamanho de uma unha, porque é isso que dá textura ao caldo. Onde o dão pronto é porque cozinham para grupos. Escolhemos casas onde nos põem a tigela e o cesto na frente.
Dar uma hora ao bairro muçulmano. Fica-se na rua Bei Yuanmen, que é a vitrine, e não se entra nas travessas Xiyangshi e Dapiyuan, onde se come de fato. Reservamos ali duas horas de uma noite e dispensamos o jantar sentado.
Os nossos roteiros privados por Xi’an não incluem paradas em fábricas de jade nem em lojas de seda. É uma escolha: custa-nos comissões e ganha-nos duas horas por dia.
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Como organizamos
01
Chegamos antes
Entramos nos monumentos antes dos ônibus de turismo. A Muralha às 7h, a Cidade Proibida às 8h30.
02
Guia em português
Um único guia do primeiro ao último dia, em português. Sem trocas de acompanhante entre cidades.
03
Reservas por nossa conta
Cuidamos das reservas nominais que exigem passaporte, incluindo as que esgotam na alta temporada.
Perguntas frequentes
Vale a pena visitar o Exército de Terracota?
Vale, mas chegue cedo. Abre às 8h30 e nós estamos na porta às 8h15. A partir das 10h as filas dentro dos pavilhões tornam impossível chegar perto da balaustrada e ver os detalhes dos rostos.
Dá para andar de bicicleta na muralha de Xi'an?
Sim. O perímetro tem perto de 14 km, você aluga a bicicleta em cima da muralha por cerca de 45 yuans por hora, com depósito, e devolve em qualquer um dos quatro portões principais. A melhor hora é a última da tarde.
Quantos dias são precisos em Xi'an?
Duas noites chegam para o Exército de Terracota, a Muralha, o bairro muçulmano e a pagode do Ganso Selvagem. Quem quiser subir ao monte Hua precisa de uma terceira noite.
O que se come em Xi'an que não se come em nenhum outro lugar?
O pão desfeito à mão dentro do caldo de carneiro, o yangrou paomo. É um ritual: o cliente desfaz o pão em pedaços pequenos e a cozinha devolve para ele transformado em sopa.
Xi'an é uma cidade barata?
É das capitais mais acessíveis da China. Uma tigela grande de macarrão custa 20 a 30 yuans e um jantar com dois pratos e cerveja fica abaixo de 150 yuans para duas pessoas.
Roteiros que incluem Xi'an
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