Destinos
Yunnan
Vinte e cinco etnias, uma estrada de montanha, e neve no horizonte de um vale subtropical.
Ficha prática
- Melhor época
- mar–mai · out–dez
- Noites sugeridas
- 5 a 7 noites
- Região
- Sudoeste
- Reserva obrigatória
- Sem reserva obrigatória
O Yunnan é a província mais diversa da China: vinte e cinco minorias étnicas reconhecidas, desde os naxi com a sua escrita pictográfica ainda viva até aos tibetanos do planalto ao norte, passando pelos bai e pelos yi. Em distâncias curtas passa-se de vales subtropicais com arrozais a geleiras a 6.000 metros.
Porque visitar
Porque mostra a China que não aparece nos postais. Nenhum dos lugares do Yunnan é um monumento imperial; são cidades velhas de pedra com água correndo por canais, campos de socalcos com mil anos, vilas onde se fala uma língua sem parentesco com o mandarim e uma cozinha com cogumelos silvestres, queijo de cabra e presunto curado em altitude.
É também a região onde melhor se viaja devagar: cinco a sete dias sem pressa, com duas noites em cada lugar, e um ritmo que nenhum roteiro de grupo permite. É o prolongamento natural de uma segunda viagem à China, e o melhor lugar do país para entender que «China» não é uma coisa só.
O que ver e fazer
Kunming e a Floresta de Pedra. A capital é a «cidade da primavera eterna», com 15 graus de média anual. Serve de entrada e vale pelo Mercado das Flores e pela cozinha de cogumelos. A duas horas fica a Floresta de Pedra, um campo de torres calcárias com 270 milhões de anos atrás das quais se perde gente — reservamos guia local e faz-se em três horas, evitando o circuito dos carrinhos.
Dali e o lago Erhai. Cidade velha muralhada dos bai, com canal de água correndo ao lado das ruas, e o terceiro maior lago de água doce da China, com vista para uma serra de 4.000 metros. A volta ao lago faz-se de bicicleta num dia, com parada nas vilas de pescadores e no mercado de Shazhou, que abre ao amanhecer e fecha por volta das 11h.
Lijiang e a Montanha de Neve do Dragão. Cidade naxi classificada pela UNESCO, onde os canais serviam de sistema de aviso de incêndios. Subimos de teleférico a 4.506 metros, de onde se desce a pé pelo vale da Lua Azul. A reserva tem de ser feita com pelo menos dois dias: os ingressos de teleférico esgotam.
A Garganta do Tigre. Um dos desfiladeiros mais profundos do mundo: o Yangtzé passa encaixado entre duas paredes de 3.000 metros. Percorre-se o caminho alto em dois dias com hospedagem em vila, ou em oito horas de dia inteiro para quem quer só o mirante das Duas Pontes. É a caminhada mais bonita da China nesta escala de dificuldade.
Shangri-La e o planalto. Vilas tibetanas, mosteiros com bandeiras de oração e prados a 3.200 metros. Aqui vêem-se iaques de verdade e come-se tsampa. De Shangri-La segue-se para o mosteiro de Songzanlin, o maior do Yunnan.
Como organizamos
Fazemos o Yunnan sempre de carro privado com motorista local, e nunca em transportes públicos, por causa das estradas: são boas, mas são de montanha, com curvas de nível e nevoeiro súbito às vezes em julho. Contratamos motoristas que conhecem os trechos porque fazem a rota todas as semanas.
Dividimos em dois blocos separados por um dia livre em Lijiang, porque é o intervalo que permite dormir duas noites antes de Shangri-La. É o que evita dores de cabeça de altitude nos nossos clientes.
Reservamos o teleférico da Montanha de Neve com pelo menos dois dias de antecedência. Em julho e agosto, quando os ingressos esgotam, propomos a alternativa do vale do Baishui sem teleférico.
Nunca incluímos paradas em lojas de chá ou de prata «culturais» no percurso. É prática corrente no turismo de grupo no Yunnan e é tempo roubado ao dia.
Quanto tempo ficar
Cinco noites é o mínimo: uma em Kunming ou sem dormir lá, duas em Dali, duas em Lijiang. Cumpre o essencial e deixa Shangri-La de fora, o que para quem já viu o Tibete é aceitável.
Sete noites é o nosso programa recomendado. Dá para dois dias em Dali com a volta ao lago Erhai de bicicleta, dois em Lijiang com a Montanha de Neve, uma noite de subida para Shangri-La e duas noites no planalto para o mosteiro de Songzanlin e uma ida às pradarias.
Nove a dez noites valem para quem junta a Garganta do Tigre em dois dias de caminhada com dormida em vila, ou o lago Lugu e a sociedade matriarcal dos mosuo, a seis horas de estrada de Lijiang.
Menos de cinco noites não recomendamos: perde-se mais tempo em traslados do que em lugares, e a região perde exatamente aquilo que a torna diferente, que é o ritmo lento.
Quando ir
Março a maio. 8 a 24 graus conforme a altitude, seco, campos verdes e flores nas encostas. É a melhor altura para caminhar e para Dali.
Junho a setembro. Monção do sudoeste: chuva quase diária à tarde, estradas escorregadias e nevoeiro que esconde a Montanha de Neve. Compensa numa coisa: é a época dos cogumelos silvestres, e quem gosta de gastronomia chinesa vai querer vir exatamente nestes meses.
Outubro e novembro. 6 a 22 graus, ar seco, céu limpo e luz de ouro nos socalcos depois da colheita. A nossa preferência para fotografia.
Dezembro a fevereiro. 2 a 16 graus em Kunming e Dali, mas negativos e com neve em Shangri-La. É quando se vêem os grous-de-pescoço-preto nos lagos do planalto. Poucos turistas.
Evitamos a primeira semana de outubro, quando Lijiang recebe multidões internas.
Onde ficar
Na cidade velha de Dali, dentro das muralhas ou nas guesthouses na margem do lago Erhai, de preferência voltadas para leste, para ter o sol nascendo sobre a água.
Em Lijiang, na cidade velha, em pátios naxi convertidos, com o cuidado de escolher casas fora das ruas principais, porque a zona central tem música alta até tarde. Para silêncio, preferimos Shuhe, a vila ao lado, menor e mais calma.
Em Shangri-La, hotéis com aquecimento e oxigênio suplementar, porque a noite a 3.200 metros é sempre mais dura do que se espera. É onde não se economiza.
O que comer
A cozinha do Yunnan começa no guoqiao mixian, o macarrão de arroz atravessado sobre a ponte: caldo fervendo numa tigela de pedra, onde se jogam os ingredientes crus uns depois dos outros para cozinharem à mesa. É servido em Kunming desde o século XIX.
Depois, o queijo de cabra de Dali (rubing), frito ou grelhado com açúcar, que se vende em bancas na cidade velha; os cogumelos silvestres salteados com alho — em julho aparecem dezenas de espécies e algumas alucinógenas que só os locais sabem preparar; e o presunto de Xuanwei, curado em altitude.
Em Shangri-La, muda tudo: tsampa, massa tibetana, chá de manteiga de iaque e ensopado de carne seca. Para sobremesa e em todo lugar, o pão de rosa — massa folhada com pétalas — típico de Kunming.
Como chegar
O aeroporto internacional de Kunming Changshui é um dos cinco maiores da China e tem ligações diretas frequentes com Pequim, Xangai, Chengdu e Guangzhou.
De trem de alta velocidade: Kunming–Dali em 2h, Dali–Lijiang em 1h20, Lijiang–Shangri-La em 1h10, e Kunming–Chengdu em 7h. É uma das regiões onde a rede nova mudou tudo — percursos que levavam um dia inteiro de ônibus fazem-se agora em duas horas.
A nossa recomendação é entrar por Kunming de avião e sair de Shangri-La ou de Lijiang, ou vice-versa, para não se perder um dia voltando atrás. Para quem vem do resto do país, Kunming é também a porta que encurta tudo: Chengdu fica a sete horas de trem rápido e Dali a duas.
O que a maioria das agências faz mal aqui
Dormir uma única noite em Shangri-La logo depois de Lijiang. A 3.200 metros, a primeira noite é quase sempre ruim: dor de cabeça, sono irregular. Subimos por etapas, dormimos duas noites em Lijiang antes e evitamos esforço no dia da chegada ao planalto.
Esperar pelo teleférico de Lijiang no próprio dia. Os ingressos para a Montanha de Neve esgotam com dias de antecedência em julho e agosto. Reservamos logo na confirmação do roteiro e temos sempre plano B, que é o vale do Baishui sem teleférico.
Fazer o Yunnan de ônibus de linha. As estradas de montanha são boas, mas exigem prática, e o nevoeiro de julho chega sem aviso. Usamos carro privado com motorista que faz a rota todas as semanas.
Enfiar lojas de prata e casas de chá no percurso. É prática corrente no turismo de grupo no sudoeste e rouba duas horas por dia. Não está em nenhum dos nossos programas.
Tratar a gastronomia como detalhe. De junho a setembro aparecem dezenas de espécies de cogumelos silvestres nos mercados, e Kunming tem restaurantes inteiramente dedicados a eles. Quem vem no pico da monção por causa da chuva vem muitas vezes por causa disso.
Organizamos o Yunnan sempre em privado: dois a seis viajantes, guia em português e carro com motorista local.
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Como organizamos
01
Chegamos antes
Entramos nos monumentos antes dos ônibus de turismo. A Muralha às 7h, a Cidade Proibida às 8h30.
02
Guia em português
Um único guia do primeiro ao último dia, em português. Sem trocas de acompanhante entre cidades.
03
Reservas por nossa conta
Cuidamos das reservas nominais que exigem passaporte, incluindo as que esgotam na alta temporada.
Perguntas frequentes
Qual é o melhor percurso no Yunnan?
Kunming, Dali, Lijiang e Shangri-La, ligados por trem e por estrada. Cinco noites fazem o essencial; sete permitem parar nas vilas, subir ao lago Lugu e fazer um dia de trekking na Garganta do Tigre.
É preciso aclimatar à altitude?
Shangri-La está a 3.200 metros e não é inofensivo, sobretudo para quem chega direto do nível do mar. Dormimos sempre duas noites em Lijiang, a 2.400, antes de subir, e nunca se faz esforço no dia da chegada ao planalto.
Quantos dias são necessários para o Yunnan?
Menos de cinco não vale a pena: só Dali e Lijiang. Sete dias permitem Kunming, a Pedra Forestal, Dali, Lijiang, Shangri-La e a garganta, com tempo para parar. É o nosso programa recomendado.
É seguro viajar no Yunnan?
É das províncias mais seguras da China. As estradas de montanha são o risco real, não as pessoas. Por isso todos os nossos percursos no Yunnan são feitos com motorista local e carro privado, nunca em transporte público de montanha.
O trem substitui os voos internos?
Substitui bem entre Kunming, Dali e Lijiang, todas ligadas por alta velocidade. Para Shangri-La, a partir de 2023 há também linha direta desde Lijiang em pouco mais de uma hora, o que poupou seis horas de estrada.
Roteiros que incluem Yunnan
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