Regiões

Zhangjiajie e Fenghuang

Os pilares de arenito de Wulingyuan e a cidade velha de Fenghuang, no noroeste de Hunan. Quantos dias, como ligar os dois e quando ir.

Ficha prática

Dias recomendados
8 dias
Cidades a combinar
Zhangjiajie · Guilin e Yangshuo · Xangai
Como se viaja
Privado · guia em português · sem paradas em lojas
Atualizado em
18 de outubro de 2026

Há duas razões para se vir ao noroeste de Hunan, e são muito diferentes: uma paisagem geológica que não existe em nenhum outro lugar habitado, e uma cidade velha de madeira sobre um rio. Zhangjiajie e Fenghuang formam o percurso mais coerente do interior da China — três horas de deslocamento separam um parque de pilares de arenito de uma cidade que conservou a sua estrutura de vila — e é uma das poucas combinações regionais em que as duas metades se completam em vez de se repetirem.

Zhangjiajie: os pilares

Wulingyuan, classificado pela UNESCO em 1992, é um campo de mais de três mil pilares de arenito quartzítico, alguns com mais de 300 metros de altura, erguidos por erosão ao longo de milhões de anos. Não é carste calcário como o de Guilin: é arenito, o que explica as arestas verticais e os topos planos, quase cortados a faca.

O parque divide-se em zonas que exigem mais do que um dia:

Yuanjiajie, com os pilares que inspiraram as montanhas flutuantes do filme Avatar — uma coluna foi mesmo rebatizada com o nome do filme. Tem uma passarela que contorna o cume e é onde se tira a fotografia que todo mundo conhece.

Tianzi Shan, a zona mais alta e a que melhor se vê de cima, com mirantes sobre um mar de torres. O nome vem de um chefe tujia do século XIV que se revoltou contra a dinastia Ming.

O vale de Suoxi e a gruta do Dragão Amarelo, com salas subterrâneas e um rio navegável por dentro.

O elevador dos Cem Dragões, uma caixa de vidro encaixada na falésia que sobe mais de 300 metros em menos de dois minutos. Resolve a subida e é, por si só, uma das coisas que se contam depois.

Pilares de arenito de Wulingyuan entre névoa ao amanhecer
Os pilares de arenito têm topos planos porque a erosão corta na vertical. É isso que os distingue do carste de Guilin, que é arredondado.

O monte Tianmen e a ponte de vidro

Fora do parque principal, dois lugares que merecem um dia cada um ou, pelo menos, um dia em conjunto.

O monte Tianmen tem um arco natural aberto na rocha — a «porta do céu» que lhe dá o nome —, uma estrada de 99 curvas que sobe a encosta e um teleférico longo que chega ao cume. Tem passarelas de vidro encostadas à falésia, o que não é para todo mundo, e uma vista sobre a cidade que resolve o problema de não se conseguir fotografar o parque de longe.

A ponte de vidro do desfiladeiro de Zhangjiajie atravessa uma garganta a várias centenas de metros de altura, com piso transparente. É uma atração recente, muito procurada e com limite de entradas: reserva-se com antecedência e há dias de fechamento por manutenção ou vento.

Fenghuang: a cidade fênix

A cerca de duas horas para sudoeste, já na prefeitura autônoma de Xiangxi, fica Fenghuang. É uma das cidades antigas mais bem conservadas da China, habitada sobretudo por comunidades miao e tujia, construída sobre o rio Tuo com casas de palafita — as diaojiaolou — encostadas à água.

O que se faz lá é simples e é tudo: atravessar a ponte do arco-íris, andar as ruas de lajeado ao amanhecer, quando ainda há gente lavando roupa no rio, ver os telhados de telha preta e os beirais inclinados, e sair de barco ao anoitecer com os lampiões acesos. De dia é uma cidade bonita; à noite é uma cidade encenada e muito cheia. A diferença está em dormir lá: quem chega de manhã e sai à tarde leva a versão pior.

Ao redor há vilas miao e a Grande Muralha do Sul — uma muralha Ming diferente da do norte, mais baixa e construída para contenção interna, que quase ninguém visita. É um dos desvios mais interessantes da região.

Topo de um pilar de arenito de Wulingyuan com névoa subindo do vale
Wulingyuan tem névoa em mais da metade dos dias do ano. Não é um defeito meteorológico: é a razão pela qual a paisagem muda de aspecto de hora em hora.

Furong, a parada entre os dois

A meio caminho entre Zhangjiajie e Fenghuang fica Furong, uma vila construída por cima de uma cachoeira que cai diretamente sobre o rio. Tem dois mil anos, foi cenário de cinema e é muito menor do que Fenghuang. Faz-se num dia com dormida, ou numa parada de três horas a caminho, e é o lugar onde se come melhor em toda a região.

É também a parada que evita o dia inteiro de traslado seguido entre os dois extremos do percurso.

Onde dormir

Em Zhangjiajie, duas opções: a cidade, com hotéis normais e restaurantes, a meia hora da porta principal do parque; ou as guesthouses na entrada de Wulingyuan, mais simples, mas a dez minutos dos teleféricos. Para quem quer madrugar — e aqui madrugar é a diferença entre um mirante vazio e uma fila —, dorme-se dentro do parque.

Em Fenghuang, pousadas sobre o rio Tuo, de preferência fora do eixo principal, porque as ruas centrais têm música até tarde e o barulho reflete na água. O quarto com varanda sobre o rio custa mais e vale cada centavo nas duas primeiras horas do dia.

Em Furong, a oferta é pequena e reserva-se com antecedência. É a etapa em que não se escolhe por critério de conforto, mas por disponibilidade.

O que se come em Hunan

A cozinha de Hunan — xiang cai — é uma das oito grandes tradições regionais chinesas e é a mais apimentada de todas as que se encontram num roteiro normal. Apimentada com pimenta fresca e fermentada, não doce: tofu fedido frito, camarão de rio com pimenta, entrecosto cozido no vapor com pimenta-do-reino, bacon defumado de Xiangxi e tigelas de macarrão de arroz no café da manhã, que em Hunan se come a toda hora.

Para quem não tolera comida apimentada, um aviso: pede-se bu la («sem pimenta») e mesmo assim convém escolher pratos grelhados ou cozidos. É um dos motivos pelos quais se viaja com guia e não por conta própria.

Quantos dias

Cinco dias resolvem o essencial: dois em Wulingyuan, um no monte Tianmen e dois em Fenghuang. Fica-se com a sensação de ter corrido o parque.

Sete a oito dias é o programa recomendado. Três noites em Wulingyuan, uma no monte Tianmen, uma em Furong, duas em Fenghuang. É o ritmo em que se repete um mirante de manhã porque no dia anterior estava encoberto, o que aqui acontece com frequência.

Dez dias acrescentam as vilas miao, a muralha do sul e uma descida até Guilin, cujas colinas são a alternativa mais próxima e, geologicamente, o oposto complementar: carste arredondado em vez de arenito anguloso.

Passarela de madeira no parque de Zhangjiajie com pilares ao fundo
As passarelas do parque somam dezenas de quilômetros. O circuito clássico faz-se a pé numa manhã e dispensa transporte interno entre mirantes.

A névoa, que é metade da paisagem

Wulingyuan tem neblina em mais da metade dos dias do ano, e é isso que faz com que o mesmo mirante dê três imagens diferentes em três manhãs seguidas. Não é um defeito meteorológico: é a razão pela qual os pilares parecem flutuar nas fotografias. A consequência prática é que se planejam dois dias de parque em vez de um, e que se escolhe a ordem das zonas conforme a previsão — Tianzi Shan primeiro num dia limpo, os vales num dia encoberto, porque dentro do vale a névoa melhora a cena em vez de estragá-la.

Quando ir

Abril a junho. Verde vivo, cachoeiras com água, temperaturas amenas. É a melhor altura para se andar muito.

Julho e agosto. Calor úmido e alta temporada interna, com filas nos elevadores e nos teleféricos. Faz-se, mas madruga-se.

Setembro a novembro. A nossa preferência: ar seco, luz boa e as encostas começando a mudar de cor.

Dezembro a março. Frio, por vezes geada, e dias em que o nevoeiro não abre. Mas quando abre — e abre —, aparecem os pilares por cima de um mar de nuvens, que é a melhor imagem que a região dá.

Evitam-se as duas semanas do Ano Novo chinês e a primeira semana de outubro.

Como se organiza

Chega-se de avião a Zhangjiajie, ou de trem de alta velocidade desde Changsha em cerca de três horas. Fenghuang tem estação própria na linha nova, o que tornou a ligação entre os dois muito mais curta do que era. Dentro da região, usa-se sempre carro privado com motorista: as estradas são de montanha e os horários dos ônibus de linha não servem para quem quer estar num mirante às sete da manhã.

Reservamos a ponte de vidro e o teleférico do monte Tianmen com antecedência, porque ambos têm limite diário e fechamentos por condições atmosféricas. O elevador dos Cem Dragões também se reserva, e vale a pena pensar na ordem das zonas antes de entrar no parque, porque Wulingyuan tem várias portas e a escolha da porta errada custa uma hora.

Para fotografia, a região é um dos dois eixos do China Fotográfica, precisamente por causa da névoa: o mesmo mirante dá três imagens diferentes em três dias seguidos. Para casais, é também uma das variantes do Lua de Mel na China Oculta.

Organizamos Zhangjiajie e Fenghuang sempre em privado: dois a seis viajantes, guia em português, sem paradas em lojas de prata nem em «vilas culturais» encenadas, que nesta região são uma indústria.

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Perguntas frequentes

Quantos dias são precisos para Zhangjiajie e Fenghuang?

Sete a oito dias dão conta dos dois lugares sem pressa: três a quatro em Wulingyuan, um no monte Tianmen, dois em Fenghuang e uma noite em Furong. Cinco dias fazem o essencial, mas obrigam a escolher entre o parque e a cidade velha.

Zhangjiajie é fisicamente exigente?

O parque tem elevadores e teleféricos, mas há escadarias longas e trechos de descida a pé que castigam os joelhos. Recomenda-se tênis com sola aderente e bastão de caminhada. Quem tem mobilidade reduzida consegue ver os mirantes principais, mas não os vales.

Qual é a melhor época para Wulingyuan?

Abril a junho e setembro a novembro. No verão há calor úmido e filas; no inverno o frio é seco e há dias de nevoeiro que tampam tudo, mas também dias de geada em que os pilares aparecem limpos por cima das nuvens, que são os melhores do ano.

Fenghuang é apenas uma cidade turística encenada?

Tem turismo de massa interno e isso se nota à noite nas ruas principais. Ainda assim, é uma cidade habitada por comunidades miao e tujia, com casas de palafita sobre o rio Tuo, e vale sobretudo de manhã cedo, antes de as ruas encherem. Dormir uma noite lá muda a experiência.

Como se viaja entre Zhangjiajie e Fenghuang?

De trem de alta velocidade ou de carro privado, em cerca de duas horas. No meio fica Furong, a vila construída sobre uma cachoeira, que é a parada natural entre os dois. Entre si, os percursos fazem-se sempre com motorista que conhece a estrada de montanha.

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