Nove dias atrás do rasto português na China: Macau, Cantão, Xangai e a corte de Pequim.
Hong Kong e Macau · Xangai · Pequim
Ficha prática
Dias
9
Noites
8
Para quem
Viajantes portugueses e brasileiros · interessados em história
Preço por pessoa
US$ 3.400 a 4.400
Dia a dia
Nove dias seguindo o rasto que Portugal deixou na China, de Macau à corte imperial de Pequim. Começa no delta do rio das Pérolas, onde chegamos em 1557, e termina onde dois portugueses — os jesuítas Tomás Pereira e Adão Schall — serviram o imperador Kangxi no século XVII.
A viagem se organiza em duas metades. A primeira é o delta: Macau, Taipa, Coloane e Cantão, onde os portugueses foram a primeira potência europeia instalada na China e onde durante dois séculos se falou um crioulo que ainda hoje resiste em algumas famílias. A segunda sobe até a corte: Xangai, onde Macau teve casas comerciais, e Pequim, onde dois jesuítas portugueses acabaram servindo o imperador.
Este não é um roteiro nostálgico. Em Macau interessa tanto o que ficou — a calçada portuguesa, o Leal Senado, a cozinha macaense — como o que deixou de existir: as fortalezas perderam uso militar, as casas do Porto do Cerco deram lugar a torres e o português é hoje língua diária de uma pequena parte da população. Ver as duas coisas é o que faz deste roteiro pela China algo diferente de um roteiro clássico.
Terminar em Pequim é uma decisão deliberada. Quem só visita Macau fica com a ideia de uma presença simpática e periférica; quem chega ao cemitério dos jesuítas, junto ao antigo observatório imperial, percebe que dois portugueses dirigiram o calendário chinês e ensinaram matemática e astronomia ao imperador Kangxi. É aí que a história muda de escala.
Como organizamos
A logística deste percurso tem um detalhe que convence facilmente quem viaja sem apoio: o roteiro atravessa a fronteira duas vezes e mistura territórios com regras diferentes. Cidadãos portugueses e brasileiros entram em Hong Kong e em Macau sem visto; já o continente exige visto chinês para todos. Cuidamos do visto continental, confirmamos a nacionalidade de cada viajante antes de reservar e acompanhamos as travessias, que se fazem de balsa, de ponte ou por via terrestre conforme o trânsito.
Como agência de viagens para a China trabalhando em português, garantimos também a parte que não se vê num programa: o encontro com a comunidade macaense, que combinamos com semanas de antecedência, e o acesso ao recinto do cemitério dos jesuítas, cuja visita depende de autorização e de horário.
O preço inclui
Guia em português durante todo o percurso, incluindo travessias de fronteira
Motorista e veículo privado; balsa Macau–Hong Kong e trens de alta velocidade Cantão–Xangai e Xangai–Pequim
Oito noites em hotéis de quatro estrelas, duas delas na península de Macau
Entradas em todos os monumentos indicados e taxas de fronteira
Seis refeições além dos cafés da manhã, incluindo dois jantares de cozinha macaense
Encontro marcado com a comunidade macaense e visita ao cemitério dos jesuítas em Pequim
Chip SIM de dados e suporte por telefone permanente em português
Visto da China continental resolvido por nós, com verificação prévia da nacionalidade de cada viajante
Horários de travessia escolhidos conforme o trânsito e o dia da semana, para evitar os horários de pico da fronteira
O preço não inclui
Voos internacionais de e para a China
Visto da China continental e taxas consulares
Refeições não indicadas e bebidas alcoólicas
Gorjetas para guia e motorista (a critério; sugerimos US$ 8 a US$ 12 por pessoa e por dia)
Seguro de viagem e despesas pessoais
01Dia 1
Chegada a Macau
Tarde e noite. Busca no aeroporto ou no terminal marítimo de Hong Kong e travessia de balsa. Instalação na península e primeira caminhada curta pelo Largo do Senado já com luz acesa.
Macau não tem voos intercontinentais para a Europa, e por isso a chegada normalmente se faz por Hong Kong: de balsa direta desde o aeroporto ou pela ponte da Baía. Nos dois casos, conte com duas a três horas entre o desembarque e o hotel — é por isso que o primeiro dia não tem programa.
Refeição. Jantar de boas-vindas de minchi e galinha à africana.
Refeições: jantar.
02Dia 2
Macau, a cidade portuguesa
Manhã. Ruínas de São Paulo às 8h30, antes das filas. Largo do Senado, Leal Senado e a Rua da Felicidade, o antigo bairro das casas de portas verdes.
A calçada portuguesa do Largo do Senado é das poucas coisas que continuam exatamente como eram há sessenta anos, e é por ali que se começa: padrão de ondas em preto e branco, traçado por calceteiros de Macau; resiste melhor ao trópico do que se esperaria e continua sendo reparada com pedra vinda de Portugal.
Calçada portuguesa numa rua do centro histórico de Macau: o padrão de ondas em basalto e calcário, com as fachadas de portas estreitas e letreiros nas duas línguas.
Tarde. Fortaleza do Monte e farol, com vista sobre a península. Almoço em restaurante macaense histórico.
Noite. Conversa marcada com membros da comunidade macaense e jantar leve na Taipa.
Refeições: café da manhã e jantar.
03Dia 3
Taipa, Coloane e travessia para Cantão
Manhã. Aldeia da Taipa e casas do século XX; pastéis de nata com canela recém-saídos do forno.
Tarde. Coloane e a aldeia de pescadores de frente para o canal de Zhuai. Travessia para o continente pela ponte ou pela fronteira do Porto do Cerco, conforme o trânsito.
Noite. Instalação em Cantão e jantar de comida cantonesa no bairro antigo.
Refeições: café da manhã e jantar.
04Dia 4
Cantão: as Treze Feitorias
Manhã. Bairro de Shamian, a ilha das concessões estrangeiras, com as casas consulares onde os portugueses tiveram feitoria. Percurso a pé até o mercado de Qingping.
Tarde. Rua de comida mais antiga de Cantão e depois o chá da manhã — o yum cha cantonês, com cestinhos a vapor. É o mesmo ritual que os portugueses conheceram e adaptaram.
Foi em Cantão, e não em Macau, que os europeus foram autorizados a negociar durante mais de dois séculos: primeiro no bairro das Treze Feitorias, numa faixa de margem de poucas centenas de metros, e depois na ilha de Shamian, onde as concessões construíram casas consulares, igrejas e clubes. Os dois lugares ficam a vinte minutos um do outro e se leem como duas páginas seguidas do mesmo processo. Aqui você percebe também que o chá da manhã cantonês tem pouco a ver com o lanche: são cestinhos a vapor, mesas grandes e conversa demorada.
Casa de chá de Cantão no fim da manhã: a luz entra pelas janelas de madeira recortada e recorta o perfil de quem bebe chá à mesa redonda.
Noite. Jantar de frutos do mar escolhidos vivos na porta.
Refeições: café da manhã e almoço.
05Dia 5
Cantão a Xangai
Manhã. Templo da Família Chan e o Templo dos Seis Banyans, com a sua pagode do século XI. Últimas compras de chá na rua das especiarias.
Tarde. Trem de alta velocidade para Xangai, cerca de sete horas em primeira classe, com almoço servido a bordo.
Nesta travessia o país muda de latitude e de língua: deixa-se o cantonês e passa-se ao mandarim do Yangtzé, e o delta deixa de ser periferia para passar a ser o motor econômico da China. A viagem de trem é longa, mas confortável, e serve para descansar.
Noite. Chegada e primeiro passeio pelo Bund iluminado, lendo os prédios coloniais um a um.
O percurso no Bund se lê melhor de dia e se repete à noite: durante séculos foi aqui que funcionaram os bancos, as companhias de navegação e as casas de comércio estrangeiras, incluindo firmas de Macau com escritório na cidade. Os nomes apagados nas fachadas ainda se adivinham na pedra.
Refeições: café da manhã e almoço.
06Dia 6
Xangai das concessões
Manhã. Bund às 6h30, com os praticantes de tai chi. Depois, Jardim de Yuyuan às 8h30.
Tarde. Concessão Francesa a pé: Wukang Road, o Edifício Wukang e a antiga sede do clube francês. Fim da tarde livre para Xintiandi.
Noite. Jantar de cozinha de Xangai e subida à Torre de Xangai, se a visibilidade permitir.
Refeições: café da manhã e jantar.
07Dia 7
Suzhou: os jardins e os canais
Manhã. Trem de 30 minutos para Suzhou e Jardim do Administrador Modesto. Museu de Suzhou, de Pei Ieoh Ming.
Tarde. Canais do bairro de Pingjiang e passeio de barco. Volta a Xangai no fim do dia.
Suzhou não aparece no programa por ser pitoresca: aparece porque é a cidade que Xangai substituiu. Durante séculos foi o centro da seda e dos jardins eruditos, e é lá que a China urbana anterior ao século XIX está inteira — razão pela qual os jardins de Suzhou constam do patrimônio mundial.
Noite. Jantar livre e última noite na cidade.
Refeições: café da manhã e almoço.
08Dia 8
Xangai a Pequim
Manhã. Museu de Xangai, na Praça do Povo, com reserva feita por nós. O foco é o bronze ritual, que é onde a China se torna legível.
Tarde. Trem de alta velocidade Xangai–Pequim, 4h18 a 6h.
Noite. Chegada a Pequim, jantar de pato laqueado em Dongcheng.
Refeições: café da manhã e jantar.
09Dia 9
Pequim, a corte imperial, e partida
Manhã. Cidade Proibida às 8h30 e o rasto português na China do norte: o antigo observatório dos jesuítas, onde trabalhou Adão Schall, e a catedral que Tomás Pereira ajudou a erguer.
No cemitério dos jesuítas estão os túmulos de Matteo Ricci, Adão Schall e Ferdinand Verbiest, ao lado de uma fileira de padres portugueses: é um dos raros lugares da China onde a presença europeia na corte se vê em pedra. A visita é feita com autorização prévia e num horário curto, o que implica chegar a Pequim no dia anterior com tempo para resolvê-la.
O recinto dos jesuítas em Pequim: estelas de pedra com inscrições em latim e em chinês, encostadas ao muro, onde repousam os padres que serviram a corte imperial nos séculos XVII e XVIII.
Tarde. Conforme a hora do voo, almoço e transfer para o aeroporto de Pequim, ou extensão para a Muralha.
Refeições: café da manhã.
Três coisas que não se repetem
01
Macau a pé, com jantar macaense e conversa com a comunidade local
02
Chá da manhã em Cantão e o bairro histórico das Treze Feitorias
03
A presença portuguesa na corte de Pequim: o cemitério dos jesuítas e a catedral católica
Preço
US$ 3.400 a 4.400
Por pessoa · 9 dias · 8 noites
Trecho terrestre na China, em quarto duplo, sem passagens internacionais. A partir de 2 viajantes.
O que está incluído
Transporte terrestre na China: trem de alta velocidade e voos internos indicados
Guia em português do primeiro ao último dia
Hotéis de 4 estrelas, em quarto duplo
Ingressos nos monumentos indicados no roteiro
Café da manhã diário
O que não está incluído
Voos internacionais de e para a China
Visto e taxas consulares
Refeições não indicadas no roteiro
Gorjetas e despesas pessoais
Perguntas frequentes
É preciso visto para Hong Kong e Macau?
Cidadãos portugueses entram sem visto em Hong Kong por 90 dias e em Macau por 30 dias, e o mesmo se aplica a brasileiros. Já a parte continental do itinerário exige visto chinês para todos. Como o roteiro atravessa a fronteira duas vezes, cuidamos do visto continental e confirmamos a nacionalidade de cada viajante antes de reservar.
Qual é o nível de esforço físico?
Baixo a moderado. É um roteiro urbano, com caminhadas de duas a quatro horas por dia, quase sempre em ruas planas de cidades. Inclui escadas em subidas curtas como a Fortaleza do Monte. Não há trekking nem altitude.
Há suplemento de quarto individual?
Sim, entre US$ 480 e US$ 720, por incluir duas noites em Hong Kong, onde a hotelaria é a mais cara da China. Quem viaja sozinho recebe orçamento fechado antes da reserva.
É possível alterar ou adiar as datas?
É. Sem custo até 30 dias antes da partida; entre 30 e 15 dias retêm-se tarifas de hotel não reembolsáveis e ingressos já emitidos; abaixo de 15 dias aplicam-se as condições de cada fornecedor. Adiar para o ano seguinte é sempre possível mediante diferença de temporada.
Fala-se português em Macau?
Fala-se, menos do que se espera. É língua oficial ao lado do chinês e cerca de 2% da população a usa em casa. Organizamos sempre pelo menos uma conversa com membros da comunidade macaense, que é a parte do itinerário de que os nossos clientes mais se lembram.
Este roteiro também é feito no Brasil?
É aberto a qualquer viajante de língua portuguesa. O ponto de vista é português, pela ligação histórica com Macau, e é isso que o distingue de um roteiro normal à China.