Destinos
Hong Kong e Macau
Macau fala português há quatro séculos. A cem quilômetros, Hong Kong muda o idioma da viagem.
Ficha prática
- Melhor época
- out–dez · mar–abr
- Noites sugeridas
- 3 noites
- Região
- Sul
- Reserva obrigatória
- Sem reserva obrigatória
Macau foi território sob administração portuguesa entre 1557 e 1999. Hoje é zona administrativa especial da China, com cassinos, um centro histórico classificado pela UNESCO e uma comunidade macaense que cozinha com chouriço, açafrão e leite de coco. A uma hora de ferry fica Hong Kong, que é todo o resto: densa, vertical, rápida.
Porque visitar
Porque é o lugar onde um viajante de língua portuguesa encontra a China sem a barreira do idioma. Em Macau há topônimos portugueses, igrejas barrocas construídas por jesuítas, pastéis de nata e um paço municipal com azulejos — e do outro lado da fronteira, a dez minutos a pé, está Zhuai, na China continental.
E porque o contraste com Hong Kong, na mesma viagem, é o retrato mais nítido das duas formas de a China ter encontrado o Ocidente. É o ponto de partida do nosso roteiro Do Tejo ao Delta e, para muitos brasileiros e portugueses, o primeiro dia de turismo na China em que não é preciso traduzir nada. Convém lembrar uma coisa prática: são dois territórios com fronteira própria, moeda própria e tomada elétrica própria. Cada travessia conta como saída do continente.
O que ver e fazer
As Ruínas de São Paulo. A fachada da igreja construída por jesuítas em 1602 e destruída por um incêndio em 1835. Sobrou o pano de pedra esculpido com santos, anjos e caracteres chineses. Vai-se cedo, antes das 9h, porque a rua em frente depois disso é uma fila só.
O Largo do Senado e a Rua da Felicidade. Praça portuguesa de calçada ondulada, edifícios cor de ocre e o Leal Senado com a sua biblioteca. A Rua da Felicidade, com portas verdes e varandas, foi o bairro dos bordéis há cem anos.
A Taipa e Coloane. Do outro lado das pontes, as antigas vilas de pescadores: casas do século XX, templos pequenos, confeitarias. Em Coloane, a vila de pescadores virou rua de restaurantes ao ar livre em frente ao canal que separa Macau de Zhuai.
A Fortaleza do Monte e o Farol. Sobe-se de elevador e tem-se a vista da península inteira, apertada entre o delta do rio das Pérolas e o mar da China.
Hong Kong, a ilha e Kowloon. O Star Ferry entre Central e Tsim Sha Tsui continua a ser a melhor vista do mundo pelo preço de uma passagem de três dólares de Hong Kong: dez minutos de água, com a ilha de Hong Kong se erguendo dos dois lados. Depois sobe-se ao Victoria Peak de bondinho de 1888. Uma nota: a fila do bondinho passa facilmente dos 45 minutos no fim da tarde; quando está assim, subimos de táxi pela Victoria Gap Road e descemos de bondinho já sem fila.
Os templos e os mercados. O templo Wong Tai Sin em Kowloon, o mercado noturno de Temple Street e os restaurantes de rua de Mong Kok, onde se come dim sum à noite e onde a cidade nunca para.
Como organizamos
Em Macau, começamos pelo centro histórico às 8h30 e acabamos nos restaurantes macaenses da Taipa no fim da tarde. Evitamos os cassinos no programa — não porque não valham uma visita, mas porque passam facilmente o dia a ganhar o nosso tempo. Quem quiser, vai uma noite ao Cotai.
Marcamos sempre pelo menos uma refeição com tempo: o minchi, o bacalhau à minhota ou a galinha à africana comem-se devagar e pedem conversa. Sempre que possível, combinamos a visita com membros da comunidade macaense, que contam o que é crescer aqui com três línguas.
Entre Macau e Hong Kong, preferimos o ferry do Terminal da Taipa e reservamos hotéis perto da estação de metrô de Central ou de Jordan. No regresso à China continental, cuidamos do traslado pela ponte ou pelo ferry de Zhuai, conforme a hora do voo.
Quanto tempo ficar
Duas noites em Macau chegam para a península, a Taipa, Coloane e duas refeições macaenses com tempo. É o encaixe normal para quem entra pelo continente e segue para Hong Kong.
Três noites é o nosso programa: duas em Macau e uma em Hong Kong, ou uma em Macau e duas em Hong Kong, conforme o interesse. Dá para fazer Hong Kong sem correr: ilha de manhã, Kowloon à tarde, Peak no fim do dia.
Quatro a cinco noites valem para quem quer juntar uma ida a Shenzhen ou Guangzhou pela linha de alta velocidade, ou para quem quer comer a sério: só em dim sum há uma dezena de casas que justificam acordar cedo.
Quem tem menos de dois dias deve escolher Macau: é pequena, fala-se português e se faz a pé. Hong Kong com um dia só fica a desejar.
Quando ir
Outubro a dezembro. 18 a 26 graus, seco, céu limpo. É a melhor altura: as duas cidades ficam respiráveis e Macau deixa de ter o calor que torna as subidas pesadas.
Março e abril. 17 a 25 graus, úmido, alguma névoa no delta. Boa altura, com as vantagens de baixa temporada nos hotéis de Hong Kong.
Maio a setembro. 26 a 34 graus, chuvas fortes, tufões. É quando o ferry para por causa do mar, o que em programas curtos pode custar um dia inteiro. Só para datas inevitáveis.
Janeiro e fevereiro. 12 a 18 graus, o melhor clima do ano para andar a pé, com o Ano Novo Lunar a tornar tudo mais caro e cheio por uns dias.
Evitamos a primeira semana de outubro, porque os dois territórios recebem visitantes do continente em massa.
Onde ficar
Macau, na península, perto do Largo do Senado, para os monumentos e as igrejas ficarem a pé. É também onde estão os restaurantes macaenses históricos.
Macau, na Taipa, perto do terminal marítimo e mais sossegado. A nossa recomendação para duas noites, com o centro histórico a vinte minutos de táxi.
Hong Kong, em Central ou em Sheung Wan, na ilha: mistura de escritórios de alto padrão e de ruas onde ainda se seca peixe na porta. A melhor base para quem fica três noites.
Hong Kong, em Jordan ou Tsim Sha Tsui, em Kowloon: hotéis melhores pelo mesmo preço, perto dos mercados de rua e do Star Ferry. A nossa escolha para primeira visita. Em Macau, quem reserva pelo Cotai tem quartos maiores pelo mesmo dinheiro, mas paga por isso em deslocamentos até a península.
O que comer
Em Macau, a cozinha macaense é única no mundo: Portugal, China, Malaca e Goa num só prato. O minchi, carne moída com batata, cebola e ovo estrelado por cima; a galinha à africana, assada com piri-piri; o bacalhau dos restaurantes do bairro português; e os pastéis de nata com canela, que aqui se comem quentes das confeitarias da Taipa.
Em Hong Kong, o objetivo é o dim sum: cestos de vapor com bolinhos de camarão, siu mai, pés de frango com molho de feijão preto e rolinhos de arroz. Come-se de manhã em salões grandes de toalha branca, às vezes ainda com carrinhos empurrados entre as mesas.
Depois há o chá com leite das casas de chá de rua, adoçado na medida certa; o porco assado pendurado na porta; e as casas de bolinho de peixe e de sopa de macarrão. Nenhuma dessas coisas custa muito: com 150 dólares de Hong Kong come-se melhor aqui do que na maior parte da Europa.
Como chegar
Macau tem aeroporto internacional próprio, com voos da Ásia, e ligação direta pela ponte Hong Kong–Zhuhai–Macau, a 55 km.
Hong Kong é um dos maiores nós aéreos do mundo, com voos diretos desde Lisboa dependendo da época e ligações frequentes pela Europa e pelo Golfo. É a nossa porta de entrada recomendada para este percurso, e depois faz-se Macau de ferry.
De trem de alta velocidade, a estação de Kowloon Oeste liga Hong Kong a Guangzhou em 48 minutos e a Xangai em 8 horas. É o regresso mais rápido ao continente. Também cuidamos aqui da logística das autorizações de fronteira: entrar em Macau e Hong Kong conta como sair do território continental, e voltar inicia uma nova entrada — o que exige visto de dupla entrada para quem viaja com visto e não com isenção.
O que a maioria das agências faz mal aqui
Tratar Macau como bônus de um dia. Vem-se de Hong Kong de manhã, vê-se São Paulo, almoça-se e volta-se. Perde-se a Taipa, a comida macaense e aquilo que não tem preço: conversar com a comunidade local em português. Reservamos duas noites na península.
Colocar cassinos no programa. Não temos nada contra, mas absorvem a noite inteira e são sempre «só mais uma hora». Ficam fora do itinerário; quem quiser, vai por conta própria ao Cotai.
Subir ao Victoria Peak às 17h de sábado. Fila de 45 minutos a uma hora no bondinho. Invertemos: subimos de carro e descemos de bondinho ao anoitecer, quando a fila já virou.
Ignorar o ferry. O Star Ferry custa três dólares de Hong Kong e é a melhor vista da baía; há programas que vendem cruzeiros caros para a mesma água. Usamos o ferry todos os dias do programa.
Esquecer que são fronteiras. Hong Kong e Macau têm moeda própria, tomada própria e contam como saída do continente. Vimos viajantes com visto de entrada única ficarem bloqueados na volta — confirmamos sempre o documento antes de vender o roteiro.
Em Hong Kong e Macau trabalhamos com guia em português e traslados privados; em Macau juntamos, sempre que possível, um interlocutor da comunidade macaense.
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Como organizamos
01
Chegamos antes
Entramos nos monumentos antes dos ônibus de turismo. A Muralha às 7h, a Cidade Proibida às 8h30.
02
Guia em português
Um único guia do primeiro ao último dia, em português. Sem trocas de acompanhante entre cidades.
03
Reservas por nossa conta
Cuidamos das reservas nominais que exigem passaporte, incluindo as que esgotam na alta temporada.
Perguntas frequentes
É preciso visto para Hong Kong e Macau?
Cidadãos portugueses com passaporte português entram sem visto em Hong Kong por 90 dias e em Macau por 30 dias, desde que o passaporte tenha validade superior a seis meses. A entrada na China continental exige visto à parte. Confirmamos sempre com a sua nacionalidade antes de reservar.
Como se vai de Macau a Hong Kong?
De ferry rápido, cerca de uma hora, ou de ônibus pela ponte Hong Kong–Zhuhai–Macau. Nós preferimos o ferry do Terminal Marítimo da Taipa quando a ponte tem filas, e o ônibus quando o mar está agitado.
Quanto tempo dedicar a Macau?
Duas noites chegam para a península e para a ilha da Taipa e Coloane. Uma noite só dá para o centro histórico e fica a desejar, sobretudo para quem procura a história portuguesa.
Fala-se português em Macau?
Fala-se, mas menos do que se imagina. É língua oficial ao lado do chinês, ensinada em escolas e usada em serviços públicos e na comunidade macaense — cerca de 2% da população. É uma das coisas que organizamos: conversas marcadas com a comunidade local.
Hong Kong é muito cara?
É a cidade mais cara da China em hotelaria. Uma refeição de rua custa 40 a 70 dólares de Hong Kong e o metrô é barato, mas um quarto de hotel decente raramente fica abaixo de 1.000 dólares de Hong Kong por noite. Reservamos sempre com antecedência.
Roteiros que incluem Hong Kong e Macau
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