Dinheiro

Como pagar na China

WeChat Pay e Alipay dominam, mas desde 2023 aceitam cartões estrangeiros. E o dinheiro ainda serve — sobretudo fora das cidades grandes.

Configure Alipay e WeChat Pay com o seu cartão antes do voo. E leve sempre 1.000 yuans em cédulas.

Atualizado em 18 de outubro de 2026 · verificado em 18 de outubro de 2026

Configure Alipay e WeChat Pay com o seu cartão antes do voo. E leve sempre 1.000 yuans em cédulas — é o que salva a tarde em uma aldeia onde o leitor de QR está quebrado.

Cliente pagando com o celular em um balcão de loja iluminado à noite
O QR que você fotografa não é o QR que você paga: o pagamento sempre abre uma câmera dentro do aplicativo. Desconfie de qualquer código impresso colado por cima do original.

Como a China paga hoje

A China deu o salto do dinheiro em espécie diretamente para o pagamento pelo celular, sem passar pelo cartão de plástico. Hoje quase tudo se paga por QR code: restaurantes, passagens de metrô, táxis, ingressos de monumentos, mercados de rua e até esmolas em templos.

Dois aplicativos dividem o mercado:

  • WeChat Pay, dentro do aplicativo WeChat, que também serve para mensagens.
  • Alipay, da Alibaba, mais voltada para serviços e a mais fácil de configurar com cartão estrangeiro.

Desde 2023 ambos aceitam cartões Visa e Mastercard emitidos fora da China, mediante verificação com passaporte, e desde 2024 os limites por transação para estrangeiros foram ampliados. Na prática, isso significa que um turista hoje consegue pagar pelo celular em quase todo lugar sem precisar de conta bancária chinesa.

O que fazer antes de embarcar

Faça isso em casa, com calma e um wi-fi bom:

  1. Instale WeChat e Alipay pela loja de aplicativos do seu país.
  2. Cadastre-se com o número de celular português, não com o número chinês.
  3. Adicione o cartão: menu “Me” → “Bank Cards” → foto da frente e do verso do cartão.
  4. Verifique a identidade quando pedirem o passaporte — isso aumenta os limites.
  5. Faça um teste de 1 euro em uma loja online qualquer, para confirmar que o pagamento passa.

Leve também um segundo cartão, de preferência de outra bandeira, porque os emissores bloqueiam pagamentos internacionais suspeitos e resolver isso a partir da China é difícil.

Dinheiro: onde é preciso

Apesar do celular, o dinheiro continua resolvendo problemas. Sempre pedimos aos nossos clientes que tragam 800 a 1.200 yuans em cédulas, divididos entre duas pessoas, mais uma reserva equivalente em dólares ou euros.

Situações em que as cédulas são úteis:

  • Mercados rurais, jangadas de bambu em Yangshuo e aldeias do Yunnan.
  • Pequenos restaurantes de rua e casas de chá familiares.
  • Banheiros públicos em monumentos (1 a 2 yuans).
  • Quando a rede ou a bateria do celular falha.

Não conte em trocar dinheiro em qualquer lugar: faz-se nos balcões do Bank of China, nos aeroportos (pior taxa) ou em hotéis de categoria superior. Os turistas estrangeiros podem trocar mediante apresentação do passaporte, e em qualquer desses lugares pedem o documento — sem ele, a operação é recusada.

Mesa de restaurante em Chengdu ao jantar, panela ao centro
Em restaurantes locais você paga no fim, levantando-se e mostrando o número da mesa no balcão. No hotpot, o depósito dos molhos vem na conta e é devolvido quando você entrega a tigela.

Caixa eletrônico e saques

Os ATM estão por todo lado em cidades grandes e médias, e a maioria aceita cartões Visa, Mastercard e UnionPay. Procure as máquinas do Bank of China, do ICBC e do Agricultural Bank — são as que mais vezes funcionam com cartões estrangeiros.

Duas notas: saque em múltiplos de 100 yuans, porque com notas maiores do que isso (as de 100 são as maiores) raramente há problema, mas notas de 50 e 20 dão jeito; e preste atenção à taxa do seu banco, que costuma ser mais cara do que pagar direto pelo Alipay.

Quanto gastar por dia

Com um roteiro privado, em que hotéis, guia, ingressos e transfers ficam pagos de antemão, o dinheiro de bolso serve para refeições não incluídas, bebidas, presentes e atividades opcionais. Para referência:

  • Refeição de rua: 25 a 50 yuans
  • Refeição em restaurante médio: 80 a 200 yuans por pessoa
  • Jantar de categoria: 300 a 600 yuans por pessoa
  • Passagem de metrô: 3 a 9 yuans
  • Lembrancinhas pequenas: 20 a 100 yuans

Os preços dos nossos roteiros são apresentados por pessoa, em dólares, com todo o terrestre incluído, com exceção dos voos internacionais. O que fica de fora são refeições não indicadas, bebidas, gratificações e compras pessoais. Na prática, para um casal em roteiro privado de dez a doze dias, contamos com 200 a 400 yuans por dia de bolso para refeições livres e pequenos extras, fora das compras.

Taxas, câmbio e o que convém evitar

A moeda é o renminbi, cuja unidade é o yuan (popularmente “kuai”). As cédulas vão de 1 a 100 yuans e há moedas de 1 yuan e de 1, 5 jiao. A taxa fica em torno de 7 a 8 yuans por euro, mas varia; consulte-a no dia, porque os nossos orçamentos são apresentados em dólares americanos e as duas conversões pesam na carteira.

Três erros custam dinheiro de forma evitável. O primeiro é trocar no aeroporto na chegada: a taxa é sempre pior do que na cidade e a comissão é fixa. O segundo é pagar com um cartão de crédito que cobra taxa de conversão em moeda estrangeira sobre uma moeda desconhecida — prefira pagar pelo Alipay, onde a taxa é apresentada antes de você confirmar. O terceiro é sacar pequenas quantidades várias vezes no ATM, multiplicando a comissão fixa de cada operação: saque uma vez, saque o suficiente.

Sinais, depósitos e como são os nossos pagamentos

Os roteiros privados que organizamos são pagos por transferência bancária para a conta da empresa, em euros ou dólares, com um sinal de 30% na reserva e o restante até 30 dias antes da partida. Sempre emitimos nota fiscal e recibo em nome do viajante, e guardamos o comprovante no dossiê de fronteira, porque às vezes é pedido.

Para reservas de última hora — trens liberados 15 dias antes, ingressos nominais que esgotam à noite — nós adiantamos o pagamento e acertamos depois, sem pedir ao cliente que resolva uma plataforma chinesa às onze da noite.

Sobre sinais e devoluções: hotéis e monumentos cobram depósitos reembolsáveis nas reservas de alta temporada, devolvidos integralmente em caso de cancelamento dentro do prazo indicado. Os prazos são curtos e variam por estabelecimento; por isso sempre confirmamos a política de cada casa antes de reservar.

Uma palavra sobre gorjetas, que é a pergunta que mais nos fazem: não se deixa dinheiro em cima da mesa em restaurantes nem se dá a guias de monumentos. Dá-se, sim, uma gratificação ao guia e ao motorista no fim do roteiro, como sinal de apreço — por norma entre 6 e 10 dólares por dia por pessoa, entregue em dinheiro no último dia, e sempre por livre decisão do cliente.

O plano B quando nada funciona

Um dia, em algum lugar, alguma coisa não vai passar: o cartão é recusado, o Alipay pede verificação adicional ou o leitor de QR está quebrado. Convém ter o plano escrito antes de ele ser necessário.

A ordem que recomendamos é esta: segundo cartão de outra bandeira, dinheiro em espécie suficiente para o dia e, por fim, ligar para o guia ou para o escritório, que adianta o pagamento e acerta depois. É o que fazemos nas reservas de última hora — trens que são liberados quinze dias antes, ingressos nominais que esgotam à noite —, justamente para ninguém ter de resolver uma plataforma chinesa em uma hora inconveniente.

Golpes de pagamento a evitar

  • Leitores de QR falsos colados por cima dos verdadeiros em bancas de rua: confira sempre o nome do comerciante na tela antes de confirmar.
  • “O leitor não funciona, me pague em dinheiro” — acontece sobretudo em zonas turísticas; insista ou mude de lugar.
  • Taxistas sem taxímetro que propõem preço fixo; use o Didi ou peça ao hotel para chamar.
  • Câmbio de rua, que é ilegal e sempre desfavorável ou falso.

Perguntas frequentes

Preciso de dinheiro em espécie na China?

Sim, sobretudo fora dos centros das grandes cidades. Em aldeias, mercados, pequenos restaurantes, jangadas e casas de chá o pagamento é frequentemente só em dinheiro ou só por QR com conta chinesa. Recomendamos andar com 800 a 1.200 yuans.

O meu cartão português funciona na China?

Funciona nos hotéis, grandes hotéis e restaurantes das cidades grandes — Visa e Mastercard têm aceitação razoável nas cidades de primeira linha, UnionPay muito ampla. Não conte com ele em cafés de bairro, táxis nem lojas pequenas.

Como se configura o Alipay?

Baixe o aplicativo antes do voo, cadastre-se com o número de celular português, escolha "Bank Card", tire uma foto do cartão e confirme. Desde 2023 o processo aceita Visa e Mastercard emitidos fora da China. Faça o primeiro pagamento em casa, para confirmar que está ativo.

Há limite para quanto posso pagar pelo celular?

Há limites por transação e por dia para usuários recém-cadastrados, que sobem à medida que a conta ganha histórico e verificação de identidade com passaporte. Em um roteiro turístico normal raramente se atingem.

Dá gorjeta na China?

Não é costume e, em muitos lugares, é recusado. As exceções são os guias e motoristas de turismo, onde uma gratificação no fim é apreciada. Nos restaurantes não se deixa nada em cima da mesa.

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